Imagem: Alessandro Dantas

Três propostas carregam consigo um único objetivo: acabar com a jornada de seis dias de trabalho para um de descanso. Esse debate vem ganhando cada vez mais força no Congresso, e o setor da construção e a indústria estão no centro do impacto.

O problema parece político. Mas não é só isso.

Na semana passada, o relator das PECs sobre jornada de trabalho na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara apresentou parecer favorável ao avanço das propostas. O próprio governo Lula enviou, em regime de urgência, um projeto de lei próprio.

São três textos em movimento ao mesmo tempo, com trajetórias diferentes, mas convergindo para a mesma mudança: menos horas de trabalho por semana.

A votação foi adiada por um pedido de vista, mas o prazo máximo é de 15 dias, e o relógio está rodando.

O que está em jogo

PECs do Congresso - reduzem a jornada para 36 horas semanais. Alteram a Constituição, exigem três quintos dos votos e uma análise mais longa.

PL do governo - reduz para 40 horas semanais. Altera a CLT, exige maioria simples e tramita em urgência: 45 dias pela Casa Legislativa.

A discussão de mérito ainda está longe, mas o sinal já foi dado. A jornada de 40 horas é o piso do debate, e, obviamente, não o teto.

O custo não é abstrato

Um estudo da Fecomércio calcula que a redução de 44 para 40 horas semanais pode representar R$ 158 bilhões em aumento de folha de pagamentos, só no cenário conservador.

Serviços levam o maior impacto com quase R$ 80 bilhões, enquanto a indústria e o varejo, juntos, somam mais de R$ 65 bilhões.

As pequenas empresas também acabam sendo impactadas, já que muitas não possuem margem para absorver o aumento de custo sem repassar ao preço ou realizar cortes em suas equipes.

O problema não é a redução da jornada em si. É o que acontece quando ela chega sem planejamento.

O relator reconheceu isso no próprio parecer, sugerindo estudar compensações fiscais, regimes de transição e benchmarks internacionais, além de citar países como Chile, Colômbia e México, que realizaram mudanças em etapas. A transição gradual é algo categorizado como uma condição para que a medida funcione.

O que isso tem a ver com sustentabilidade?

Mais do que parece, pois qualquer alteração estrutural em custo de mão de obra afeta a viabilidade de projetos: prazos de obras, custos de construções, orçamentos para certificações e margens para especificações mais técnicas.

Empresas que já operam com eficiência de processo, de materiais e energia possuem mais capacidade de absorver choques externos. Já as que dependem de jornadas longas para compensar ineficiência não têm.

A discussão sobre produtividade que economistas cobram do Congresso é a mesma que o setor da construção e da indústria precisam fazer internamente: quanto do custo atual é trabalho necessário, e quanto é retrabalho, desperdício e decisão mal tomada no início?

O que acompanhar agora

A votação na CCJ deve acontecer em até 15 dias, e se aprovadas, as PECs seguem para uma comissão especial onde o conteúdo real será debatido. O PL do governo corre em paralelo, com prazo mais curto.

É cedo para saber qual texto vai avançar ou se os dois vão convergir, porém já sabemos de algo: essa mudança vai acontecer, a única questão é com quanto tempo de adaptação.

Infraestrutura e Cidades

District cooling não é sobre ar-condicionado. É sobre infraestrutura.

A SP Group em Singapura está tratando district cooling e heating não como solução complementar, mas como infraestrutura energética de escala urbana.

A proposta é simples na superfície: centralizar a produção de frio e calor para atender redes de edifícios, distritos e grandes empreendimentos, em vez de deixar cada ativo resolver isso sozinho.

Na prática, a empresa vende esse modelo como combinação de eficiência energética, redução de custo operacional e corte de emissões.

E ela sustenta isso com casos grandes.

Marina Bay aparece como a maior rede subterrânea de district cooling do mundo. Tampines entra como projeto brownfield, adaptado a uma área já consolidada. A parceria com a STMicroelectronics traz o maior sistema industrial do tipo em Singapura. E o portfólio ainda se estende para habitação pública, complexos urbanos na China e projetos de grande porte na Tailândia.

Marina Bay em Singapura

O fio condutor é sempre o mesmo: tirar a climatização da lógica fragmentada, concentrar capacidade, ganhar escala e transformar refrigeração em serviço contínuo.

Até aqui, parece só engenharia térmica.

Mas não é.

O que está acontecendo aqui é uma mudança de lógica. Resfriamento deixa de ser escolha de equipamento e vira decisão de infraestrutura. E quando isso acontece, o impacto não fica restrito ao consumo de energia.

Ele aparece na previsibilidade da operação.

Aparece na manutenção.

Aparece no uso do espaço, já que o edifício deixa de carregar sozinho parte da sua estrutura de climatização.

E aparece, principalmente, no risco.

Porque sistema individualizado parece autonomia. Até começar a multiplicar falha, manutenção, ineficiência e custo escondido em cada prédio.

É aí que a leitura da UGREEN fica mais interessante.

District cooling não é uma solução “mais sustentável” só porque centraliza equipamentos. Ele faz sentido quando existe densidade, continuidade de demanda e coordenação real entre os ativos atendidos. Sem isso, a conta técnica perde força. A promessa continua bonita, mas o ganho real diminui.

Então o ponto não é admirar a tecnologia.

É entender onde ela funciona de verdade.

Em ambientes urbanos densos, em operações grandes e em projetos com visão de longo prazo, centralizar climatização pode reduzir custo recorrente, melhorar desempenho e cortar risco operacional de um jeito que sistemas isolados dificilmente conseguem entregar.

Não é estética.

Não é marketing verde.

É infraestrutura funcionando melhor.

Green Building Day XP

Não é só conteúdo. É sobre quem você encontra na sala.

O Green Building Day XP está se aproximando — e ele acontece no FIEP Event Center, em Curitiba dia 15 de Maio.

Mas não é só uma tarde de conteúdo.

É um encontro menor, mais próximo, que coloca na mesma sala gente que já percebeu que o jeito atual de projetar e construir não está funcionando — mas que, na maioria das vezes, ainda está tentando resolver isso sozinho.

É aí que o evento muda de figura.

Porque o valor não está só no palco. Está na conversa que continua no coffee, nas trocas que se estendem no happy hour e, principalmente, no fato de você finalmente encontrar outras pessoas na mesma direção.

E isso encurta caminho.

O que poderia levar meses de tentativa e erro, às vezes acontece em uma conversa certa, no momento certo.

Por isso, o Green Building Day XP não é só sobre assistir.

É sobre descobrir com quem faz sentido continuar depois.

Norma e Regulação

A regra mudou. Mas ninguém avisou o fornecedor.

O setor de construção civil vive um paradoxo curioso: todo mundo fala de sustentabilidade, mas quase ninguém consegue provar o que diz.

A construtora diz que usa materiais sustentáveis. O fabricante diz que o produto é verde. O arquiteto especifica com base em catálogos. E, no final, ninguém tem documentação que sustente nada disso num processo de certificação, numa licitação pública ou numa conversa com um banco de fomento.

Não é má-fé. É ausência de estrutura.

A ABNT NBR 20250:2026 é a resposta do mercado brasileiro a esse vácuo. Publicada em fevereiro deste ano, em parceria com o MDIC e dentro do Plano de Transformação Ecológica, ela cria o primeiro referencial nacional auditável para sustentabilidade de produtos e serviços. É o alicerce técnico do Programa Selo Verde Brasil.

O que isso significa na prática?

Três eixos. Um produto, um fornecedor, uma empresa — para ser avaliado dentro desta norma, precisa responder por três frentes ao mesmo tempo: ambiental (ciclo de vida, eficiência, gestão de resíduos), social (trabalho decente, diversidade, direitos humanos) e econômica (conformidade legal, cadeia de fornecimento local, prevenção à corrupção). Não é possível compensar fraqueza num eixo com força em outro.

Compras públicas têm nome e critério agora. Produto com o Selo Verde Brasil tem prioridade em licitações. E a certificação exige conformidade com esta norma. Isso não é tendência — é regulação.

Os requisitos da OCDE

Quem exporta ganha vantagem. A norma funciona como evidência de alinhamento com requisitos da OCDE e da União Europeia. Num cenário de crescente controle regulatório internacional sobre cadeias de fornecimento, isso reduz barreiras técnicas.

O problema não é a norma em si. É a distância entre o que a empresa faz e o que ela consegue provar. Muitas empresas já operam de forma mais responsável do que comunicam. A norma exige que isso vire dado, processo e documento — não só intenção.

A certificação passa por organismos acreditados pelo Inmetro e inclui uma Matriz de Verificação (Anexo A) que pode ser usada antes da auditoria formal para identificar lacunas.

Se sua empresa ainda não mapeou onde está em relação a essa estrutura, esse é o momento certo para começar — antes que a ausência do selo vire argumento contra você numa licitação ou numa negociação com grandes compradores.

Vídeo da Semana

Cozinha integrada funciona mesmo ou virou erro de projeto?

A cozinha integrada virou padrão em muito apartamento novo, reforma e conteúdo de arquitetura. Ela aparece como sinônimo de convivência, amplitude e vida moderna. O problema é que quase sempre essa escolha é vendida como estética.

E é aí que a coisa começa a dar errado.

No novo vídeo da UGREEN, a discussão sai do gosto pessoal e entra no que realmente importa: física, ventilação, poluição do ar, ruído, materiais e desempenho real do ambiente. Porque cozinha integrada não falha por opinião. Ela falha por sistema mal resolvido.

Quando o projeto ignora ventilação cruzada, exaustão bem dimensionada, tipo de cocção e comportamento do ar dentro da casa, o resultado pode ser cheiro espalhado, gordura impregnada, desconforto acústico e deterioração lenta dos materiais ao redor.

Mas o outro lado também importa.

Nem toda cozinha integrada é um erro. Em alguns contextos, ela funciona bem. Só que isso depende menos da imagem bonita do ambiente e muito mais da engenharia por trás dele. O vídeo mostra exatamente onde essa solução funciona, onde ela falha e por que tanta gente toma essa decisão sem avaliar o que deveria.

É esse tipo de diferença que separa escolha estética de decisão técnica.

Assista ao vídeo e entenda quando a cozinha integrada faz sentido — e quando ela só parece boa na foto.

Reply

Avatar

or to participate

Continue lendo