Imagem: Marcello Casal Jr Agência Brasil

Em 2026 a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) projeta um reajuste de 8% nas tarifas de energia elétrica. Este aumento é mais que o dobro da inflação prevista para o período, estimada em torno de 3,9%, e em algumas concessões, dependendo de revisões contratuais, o reajuste pode ultrapassar 13%.

O Brasil possui 88% de sua geração elétrica vinda de fontes renováveis, mas enquanto os reservatórios estão em níveis operacionais estáveis, existe um excesso de oferta. Mesmo assim, o país figura entre os que cobram uma das faturas industriais mais caras do mundo.

A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) é o mecanismo que explica este fenômeno.

Em 2026 o orçamento previsto chega a R$ 52,7 bilhões, uma alta de 7,1% em relação ao ano anterior. A parcela repassada diretamente às tarifas sobe 15,4%, e dentro deste montante, o subsídio à geração distribuída (painéis solares residenciais e comerciais) salta 87,4%, de R$ 3,6 para R$ 6,8 bilhões. A Tarifa Social cresce 33,3%, já os descontos para fontes renováveis incentivadas, outros R$ 19,6 bilhões.

É importante destacar que nenhum destes itens acende uma lâmpada, mas todos aparecem na fatura. De cada R$ 100 pagos na conta de energia, aproximadamente R$ 44 não compram um único elétron.

A saída que estreitou

Quem optou pelo mercado livre encontrou um empecilho. Entre 2024 e o início de 2026, os contratos de energia de curto prazo no ambiente livre subiram 121%, passando de R$ 143 para R$ 317 por MWh, já os de longo prazo avançaram 59%.

A promessa histórica de 20% a 30% de economia na migração foi sendo corroída. Especialistas apontam margens reais hoje entre 2% a 5% para contratos convencionais, resultando no recuo de mais de 32% no número de novas migrações no primeiro bimestre de 2026.

O que isso significa

O setor passou anos treinando para responder à seguinte pergunta: como comprar energia barata? Trocando fornecedores, instalando painéis solares ou até migrando para o mercado livre. Estas são respostas legítimas, porém, elas tratam o sintoma, não a causa.

  • Reduzir o consumo em kWh não resolve o que está embutido na estrutura tarifária.

  • Negociar um contrato melhor no mercado livre não resolve a volatilidade sistêmica.

  • Instalar painéis solares resolve parte do problema, mas transfere parte do custo da infraestrutura para os vizinhos que não instalaram.

Existe ainda um fenômeno que poucos nomeiam de forma clara: à medida que consumidores maiores e mais organizados fogem do mercado cativo, os encargos que antes eram rateados por uma base maior, ficam concentrados nos que restam.

O custo sobre → mais gente foge → o custo sobe mais.

É uma espiral que se auto-alimenta e que não tem solução regulatória no horizonte próximo.

O que protege

Para quem projeta, constrói ou especifica, o sinal é direto: o risco tarifário vai entrar na planilha de viabilidade de qualquer empreendimento.

Um edifício que depende de climatização intensiva para compensar uma arquitetura termicamente mal resolvida não tem um problema de eficiência. Tem um passivo financeiro crescente, e ele vai aumentar por razões que estão completamente fora do controle de quem opera.

As soluções para este problema surgem já na fase de projeto: fachadas que não deixam o calor entrar, orientações solares que reduzem a carga de climatização na origem. Em um produto que comprova por meio de dados, que consome menos ao longo do ciclo de vida. Em processos industriais que pararam de depender de combustíveis fósseis devido a exposição ao preço do coque e do gás, que se tornou risco de negócio inaceitável.

Green Building Day XP

O LOTE 1 do GBD XP foi prorrogado. Mas só até 30 de abril!

Recebemos pedidos suficientes para justificar mais alguns dias. Então a janela ficou aberta até o dia 30. Depois disso, o preço.

Se você estava pensando em ir ao Green Building Day XP, este é o momento!

O evento acontece no dia 15 de maio, em Curitiba.

Garanta sua vaga agora, enquanto o LOTE 1 ainda está disponível!

Participação UGREEN

UGREEN na 3ª Conferência Estadual de Arquitetos e Urbanistas do CAU/SP

Neste sábado, dia 25 de abril, São José do Rio Preto recebe a etapa regional da 3ª Conferência Estadual de Arquitetos e Urbanistas do CAU/SP, na Casa de Cultura Dinorah do Valle.

O evento reúne arquitetos, urbanistas, estudantes e profissionais de áreas correlatas para debater temas centrais da categoria: acessibilidade, mobilidade urbana, gestão de escritórios, habitação social e sustentabilidade.

A programação inclui painéis, oficinas, talks e palestra magna. A entrada é gratuita e aberta ao público geral.

A UGREEN estará presente! Sami Meira, nossa cofundadora, participa do Painel 02 dedicado à Sustentabilidade e Certificações, das 14h às 15h30, ao lado do arquiteto urbanista Isaac Amir, com mediação da arquiteta Marina Castenheira.

O tema do painel está no centro da atuação da UGREEN. Desenvolvemos consultoria em projetos, conteúdos e formação em sustentabilidade na construção e arquitetura, com foco em certificações ambientais, eficiência energética e hídrica, inventário GHG e até ACV para edifícios.

Participações como esta fazem parte do trabalho do UGREEN, levando o debate técnico para espaços onde a categoria profissional define seus rumos. A conferência do CAU/SP é um destes espaços.

Se você é da região ou estará presente na cidade, o evento irá ocorrer das 9h às 18h neste sábado (25), e a inscrição é gratuita!

Notícia

EUA compra mineradora brasileira por US$ 2,8 bi para reduzir dependência da China em minerais críticos

Imagem: Divulgação

Empresa americana compra mineradora brasileira com dinheiro do governo dos EUA, garantindo única mina fora da Ásia capaz de produzir elementos de terras raras para transição energética

No dia 20 de abril, a USA Rare Earth anunciou a compra da Serra Verde Group, mineradora brasileira com operação em Goiás, pelo valor de US$ 2,8 bilhões. O ativo em questão é a mina Pela Ema, a única operação fora da Ásia capaz de produzir em escala os quatro elementos de terras raras magnéticos que o mercado global considera estratégicos.

Em janeiro, o governo americano já havia comprometido US$ 1,6 bilhão em financiamento para a USA Rare Earth, e no mês seguinte, a Serra Verde fechou US$ 565 milhões com Washington. A previsão é que a mineradora responda por mais de 50% da oferta de terras raras pesadas fora da China até 2027.

Boa parte do ocidente e principalmente os Estados Unidos buscam reduzir a dependência do país asiático de minerais críticos para a transição energética.

  • Terras raras entram em ímãs permanentes → ímãs entram em motores elétricos → motores elétricos entram em veículos, turbinas eólicas, equipamentos de HVAC de alta eficiência e uma série crescente de sistemas que aparecem em certificações como LEED e EDGE como critérios de desempenho energético.

O que isso significa

Existe uma tendência no mercado de tratar sustentabilidade como uma escolha de produto, um painel solar aqui, um sistema de reúso de água ali. Mas esta aquisição bilionária mostra que essa leitura está ficando pequena.

Quem vai controlar os materiais que tornam viável a próxima geração de sistemas de eficiência energética é a principal disputa no mercado. Ela está sendo travada em escalas de bilhões de dólares, com financiamento direto de governos, porque as economias já entenderam que a transição consiste na infraestrutura estratégica.

Terras raras pesadas são insumo direto para motores de alta eficiência, como os que fazem sentido em sistemas de HVAC certificados, em bombas de calor e em geradores eólicos de pequeno porte.

Quando a cadeia de fornecimento desses minerais trava, o custo dos equipamentos sobe, o prazo de retorno dos projetos de eficiência energética se alonga e o argumento financeiro que sustenta a decisão de certificar começa a ser questionado.

Isso ainda não está ocorrendo no Brasil de forma aguda, porém o padrão já é conhecido: a pressão inicia-se nas cadeias globais, atingindo os fabricantes que exportam e/ou compram insumos no exterior, e eventualmente aparecendo no orçamento dos projetos locais. Podendo se mostrar como aumento de custo de equipamento, como prazo de entrega alongado ou especificação que deixa de estar disponível.

Para projetistas, o que vale notar é a especialização de sistemas ativos (motores, compressores, geradores) que vão estar cada vez mais sujeitos a variáveis que ficam fora do projeto em si. A decisão técnica continua sendo do arquiteto ou do engenheiro, porém o contexto em que essa decisão é tomada mudou.

Já para fabricantes, o movimento é mais imediato, pois quem fabrica ou especifica equipamentos com componentes magnéticos de alta eficiência (motores EC, inversores, sistemas de bombeamento) irá precisar, a certo ponto, responder perguntas sobre a cadeia de fornecimento dos seus insumos. Esse impacto não é greenwashing de entrada, é a rastreabilidade, algo que virou critério de mercado antes de virar exigência regulatória.

A aquisição da mineradora Serra Verde pela empresa americana USA Rare Earth ****(com capital do governo dos EUA) é um sinal de que essa corrida já iniciou. O Brasil possui o mineral, mas o que vai definir quem captura o valor dessa posição, e em que prazo isso chega ao mercado de construção ainda está em aberto.

Vídeo da Semana

As superquadras de Barcelona

Barcelona tem 1,6 milhão de habitantes e um dos tecidos urbanos mais densos da Europa. Durante décadas, as ruas do bairro do Eixample foram dominadas por carros, com mais de 60% do espaço público ocupado por asfalto, vagas e faixas de rolagem.

A partir de 2015, a cidade começou a reorganizar esse espaço com um modelo simples: agrupar nove quarteirões num bloco de 400 por 400 metros, reduzir a velocidade interna para 10 a 20 km/h e impedir que o carro use essas vias como atalho. Com isso, cerca de 70% da área viária interna é liberada para calçadas, praças, árvores e convivência.

Os resultados são concretos. Em áreas como Sant Antoni, a concentração de dióxido de nitrogênio caiu 25%, o ruído reduziu 3,1 decibéis e o comércio local cresceu até 30%. Estudos indicam que, aplicado em larga escala, o modelo poderia evitar 667 mortes prematuras por ano na cidade.

Mas a implementação gerou conflito político, resistência de moradores e um problema que acompanha qualquer melhoria urbana: a valorização do solo expulsou quem morava nessas áreas.

Assista ao vídeo completo no Youtube e entenda como esse modelo surgiu, quais são os limites reais da proposta e o que os dados mostram sobre o impacto na saúde, no comércio e na mobilidade urbana!

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