
Imagem: Feng Kaihua/Agência de Notícias Xinhua
No decorrer de quatro décadas a China reverteu o avanço da desertificação por meio do Programa Três-Nortes, lançado em 1978. O país recuperou 336 mil km² de terra degradada, área comparável à da Alemanha, e ajudou 15 milhões de pessoas a sair da extrema pobreza nas regiões afetadas.
O programa foi integrado à constituição do país em 2018, e desde então, a restauração de ecossistemas é requisito legal para o desenvolvimento econômico, condicionando crescimento à sustentabilidade ecológica. O deserto de Taklamakan foi cercado por mais de três mil quilômetros de florestas plantadas, mas a previsão é atingir cerca de 100 bilhões até 2050.
O modelo mais recente combina reflorestamento com geração de energia. Painéis são instalados a 1,5 metros de altura, com cultivos agrícolas sob as placas, fixando dunas e produzindo alimentos no mesmo espaço.
O Brasil registrou aumento de cerca de 30% nas condições de aridez nos últimos 30 anos, segundo estudo publicado em setembro de 2025 por pesquisadores da UFRN e da UFC. O processo avança além do Semiárido nordestino em direção ao Sudeste, com um novo epicentro identificado no Pantanal.
O que isso significa
O avanço da aridez no Brasil afeta diretamente o desempenho de edificações, pois quando o regime de chuvas muda e a temperatura do solo sobe, materiais especificados para outros climas começam a performar abaixo do projetado.
Vedações, impermeabilizações e sistemas de fachada foram calibrados com base em dados climáticos que, em partes do país, já não são os atuais. Os resultados aparecem como manifestações patológicas anos após a entrega da obra.
A NBR 15575 avançou na exigência de desempenho, mas ainda trata o clima como dado fixo.
O caso chinês mostra que o problema tem resposta técnica e operacional. Em 2025, mais de 30 mil agentes realizaram 270 mil inspeções em campo, resolvendo mais de 48 mil problemas identificados no território. O resultado veio de sistema com metas, execução e avaliação contínua, não de intenção.
Já para o mercado brasileiro de construção, a pergunta prática é esta: por quanto tempo um projeto especificado hoje continuará dentro do desempenho previsto se o clima do entorno mudar 15% até o fim da vida útil do edifício?
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Mercado e opinião
A sustentabilidade se tornou otimização, mas o consumo continua subindo

Imagem: Chao Zhang
Recentemente o ArchDaily publicou um artigo de opinião que vai incomodar bastante gente no setor.
O argumento direto se baseia em que a sustentabilidade nas profissões do ambiente construído tornou-se na prática uma ferramenta para otimizar o consumo - não para reduzi-lo.
Os edifícios consomem menos energia por metro quadrado do que consumiam uma geração atrás, os veículos emitem menos, a infraestrutura urbana ficou mais eficiente em muitas cidades, e ainda assim o consumo total de recursos continua subindo.
O texto levanta uma questão que raramente aparece no mercado de forma tão explícita: a profissão está disposta a questionar a escala e a estrutura da demanda, ou só a eficiência com que essa demanda é atendida?
O que isso significa
O artigo, embora esteja certo no diagnóstico, para quem projeta e constrói, o problema inicia-se anteriormente.
Otimizar o consumo é mais fácil de vender, tem número, simulação e certificado. Mas reduzir consumo exige questionar o próprio programa: o que realmente precisa ser construído, em que escala, com quais materiais, em que clima e para quem.
São decisões que raramente chegam à mesa técnica, pois já foram tomadas antes, nas etapas em que ninguém fez as perguntas corretas.
Um edifício com certificação pode ter carbono embutido altíssimo nos materiais estruturais. Uma fachada de alto desempenho pode estar em um projeto que superaquece porque a orientação solar nunca foi discutida. A eficiência operacional virou critério de excelência enquanto as decisões que mais pesam no impacto ambiental (partido, geometria, especificação de materiais e ciclo de vida) seguem sem análise, ou com análise tardia demais para alterar algo.
É exatamente aí que está o espaço de atuação. Eficiência energética e hídrica, quando entram no início do projeto, não são só ferramentas de certificação: são filtros de decisão.
Simulações térmicas e análises paramétricas mostram onde o projeto está desperdiçando antes de qualquer material ser comprado. Análise de carbono embutido revela quais escolhas de material têm impacto real, não as que parecem verdes no catálogo. Inventário de emissões de uma empresa não é só relatório para investidor: é mapa do que precisa mudar na operação.
A diferença entre otimizar e reduzir começa na pergunta a ser feita - e em qual etapa ela é feita.
Em projetos que passam pela consultoria UGREEN, essa é a tensão mais frequente: a equipe busca pela inovação, mas as decisões que mais importam já foram tomadas antes de qualquer análise técnica entrar na conversa. Quando a análise entra cedo, o resultado não é só um projeto mais eficiente. É uma edificação que consome menos porque foi pensada para isso.
Desempenho e Habitabilidade
Por que seu banheiro é sempre úmido

Imagem: Divulgação
Geralmente quando você termina seu banho, o espelho está embaçado e as paredes transpirando. O primeiro instinto é abrir a janela basculante e esperar que o vapor saia, mas algumas horas depois, o rejunto continua escuro, e em alguns meses, surgem manchas nos cantos do teto.
O mercado culpa a limpeza ou o hábito de banho quente, porém, o problema não é a falta de manutenção, é a física por trás disso tudo.
O que acontece com o ar durante o banho
O ar funciona como uma esponja, quanto mais quente, mais vapor de água ele consegue reter. Durante um banho, a umidade relativa do banheiro se aproxima de 100%, e quando esse ar saturado toca uma superfície fria (espelho, azulejo e canto do teto), ele esfria. O ar frio retém menos vapor, fazendo com que o excesso vire água líquida.
Esse momento chama-se ponto de orvalho; é o instante em que o vapor se converte em condensação. Se a superfície está fria o suficiente, a condensação acontece sempre.
Por que os banheiros brasileiros são especialmente vulneráveis
As construções com alvenaria de bloco de cerâmica e concreto armado sem isolamento entregam paredes e lajes que interagem diretamente com a temperatura externa.
Nos cantos superiores dos banheiros, onde vigas e pilares de concreto ficam expostos entre o ambiente interno e o externo, o resfriamento é ainda mais intenso.
Esses pontos se chamam pontes térmicas, concentram a condensação, resultando no início do mofo exatamente neste local.
Detalhe:
O vapor da água exerce pressão ao migrar do ambiente quente para o frio, atravessando materiais porosos como reboco, gesso e blocos cerâmicos.
Se a parede não tiver barreira de vapor, a umidade condensa dentro da estrutura, destruindo o material por dentro sem deixar rastro visível na superfície.
Isso se chama condensação intersticial, e o dano costuma aparecer apenas quando já é tarde.
Problemas da vedação moderna
A construção contemporânea selou os edifícios por meio de janelas com vedação dupla, portas com guilhotinas acústicas e lajes impermeabilizadas que cortam as frestas que, no passado, diluíam a carga de umidade de forma não intencional.
O resultado: a umidade gerada dentro do banheiro não tem por onde sair, e a janela basculante falha exatamente quando é mais necessária, no inverno, quando o usuário fecha tudo para não sentir frio e toma um banho mais quente do que o normal.
A ventilação natural, único mecanismo previsto na maioria dos projetos, é anulada pelo comportamento mais previsível do mundo.
A norma diz e o mercado não faz
A NBR 15575 trata do tema, mas o mercado a usa como um “checklist”. Verificam a área da abertura na planta baixa, aprova-se o projeto e encerra-se a discussão.
O que não se calcula é a pressão do vapor, a temperatura das superfícies, a direção do vento na fachada e a taxa real de renovação de ar.
Em poços de ventilação estreitos ou fachadas bloqueadas por edifícios vizinhos, a ventilação natural simplesmente não funciona. O ar fica parado, o vapor acumula e a condensação é uma certeza matemática, independentemente do tamanho da janela na planta.
Custo real do erro
A umidade crônica age sobre a estrutura de forma contínua e silenciosa:
Acelera a carbonatação do concreto, que corrói as armaduras de aço por dentro;
Dissolve sais na alvenaria, gerando eflorescência que empurra a tinta e quebra o reboco;
Cria condições ideais para fungos e ácaros, com impacto direto na qualidade do ar e na saúde dos moradores;
Segundo estudos de preços hedônicos, patologias visíveis de umidade podem desvalorizar um imóvel entre 1,5% e 11,2%.
Em um apartamento de alto padrão, essa perda representa centenas de milhares de reais destruídos por ausência de isolamento ou exaustão subdimensionada, uma decisão tomada na planilha do incorporador para cortar custo direto.
O que resolve e quando precisa ser decidido
A solução existe, é conhecida e cabe no orçamento quando aplicada na fase de projeto. Três mudanças técnicas eliminam o problema:
Exaustão mecânica dimensionada pela carga de vapor - não pelo volume do cômodo. O acionamento deve ser automático, por sensor de umidade, para que o ar saturado seja removido antes de atingir o ponto de orvalho nas superfícies;
Isolamento contínuo na envoltória - especialmente em lajes expostas e paredes externas de banheiros. Sem pontes térmicas, as superfícies internas não resfriam o suficiente para condensar o vapor.
Barreira de vapor no lado quente da parede - obrigatória em sistemas leves como drywall e steel frame, para impedir que a umidade migre para dentro da estrutura e condense de forma invisível.
Essas três medidas eliminam o risco na fase de projeto. Depois da obra executada, o custo de correção é exponencialmente maior, e o dano estrutural pode já estar instalado!
Vídeo da Semana
O país mais bombardeado da história transformou bombas em casas
Entre 1964 e 1973, os Estados Unidos lançaram mais de 2 milhões de toneladas de explosivos sobre o Laos, um país neutro que ficava perto de uma rota de abastecimento do Vietnã do Norte.
Foram 580 mil missões aéreas, resultando em uma média de uma bomba a cada oito minutos, durante nove anos.
Cerca de 30% dos explosivos não detonaram. Atualmente, 80 milhões de munições ativas permanecem enterradas no solo do Laos, em plantações, aldeias e rios. Embora a guerra tenha terminado em 1975, o país ainda lida com vestígios em seu solo.
O impacto mais direto foi sobre a agricultura, base de renda de 75% da população. Plantar virou risco de morte, fazendo com que a produção caísse e a pobreza aumentasse, além de que a madeira disponível para construções se tornou escassa devido às florestas que foram destruídas pelos bombardeios e pelo uso de desfolhantes químicos.
Metal foi o que restou, carcaças de bombas, tanques de combustíveis e pedaços de aviões. Devido a este material ser resistente e composto de ligas de alumínio de alta performance, a falta de alternativas fez com que a população começasse a utilizá-lo como estrutura de moradia.
As bombas viraram pilares e o objeto feito para destruir, se tornou o que sustenta casas.
Assista ao vídeo completo no Youtube e entenda como o Laos transformou o lixo da guerra em infraestrutura e por que essa história ainda reverbera em sua cultura!


