A Comissão Europeia acionou o Tribunal de Justiça da União Europeia contra Portugal, Grécia e Malta por descumprimento da Diretiva 2023/2413. A norma exige a transposição de regras que aceleram a expansão de fontes renováveis em todos os setores da economia. O prazo venceu e os três países não cumpriram.

A diretiva, além de tratar de geração de energia elétrica, também estabelece metas e obrigações para aquecimento, resfriamento, transporte, indústria e edifícios.

Dentro deste escopo, há exigências específicas sobre eficiência energética em edificações, procedimentos de licenciamento de projetos e integração de sistemas de energia limpa na cadeia de fornecimento da construção civil.

Portugal não está sozinho no descumprimento. A Comissão abriu processos de infração contra 26 dos 27 Estados-membros em 2025 por falhas na comunicação da transposição (a única exceção foi a Dinamarca). No caso de Portugal, o processo chegou ao tribunal com pedido formal de sanções financeiras.

O governo português afirma que a diretiva já foi transporta por decretos-lei anteriores e vai apresentar esclarecimento à Comissão. Bruxelas entendeu que a notificação foi incompleta.

O processo judicial não suspende as obrigações. Enquanto o impasse regulatório persiste, projetos de autoconsumo, comunidades de energia e infraestrutura de armazenamento operam em zona cinzenta, sem regras de licenciamento simplificado que a diretiva exige.

O que isso significa

Durante anos, o padrão europeu funcionou da seguinte forma: metas climáticas eram anunciadas, prazos eram negociados e atrasos tolerados, porém, esse ciclo chegou ao fim.

A Comissão Europeia passou a tratar a legislação climática como obrigação jurídica executável, não como intenção política. Quem não transpõe vai ao tribunal, e quem atrasa, perde espaço regulatório e financeiro.

Para o setor da construção, a diretiva em questão é um dos instrumentos que determina como edifícios serão projetados, licenciados e operados dentro do bloco europeu. Ela define padrões de integração de energia renovável em edificações, impõe metas de eficiência para sistemas de aquecimento e resfriamento, além de estabelecer critérios que afetam diretamente a especificação de materiais e sistemas construtivos.

O atraso na transposição cria incerteza para quem projeta e para quem fornece.

Projetos que dependem de autoconsumo, comunidades de energia ou certificação ambiental ficam suspensos entre o que a diretiva exige e o que a legislação nacional ainda não incorporou. Essa lacuna possui um custo: prazo estourado, financiamento bloqueado, especificação refeita.

O caso de Portugal também mostra que o risco regulatório vem de novas legislações, além da velocidade com que as regras já aprovadas em Bruxelas chegam ao território. Empresas que operam sob a premissa de que o ambiente regulatório vai ser estável estão expostas. A diretiva existe, o prazo venceu e o tribunal foi acionado.

O sinal para o mercado brasileiro é indireto. Fabricantes e construtoras com operações ou ambição no mercado europeu precisam acompanhar o ritmo de execução da legislação, não apenas o de aprovação. Certificações, EPDs e inventários de carbono deixaram de ser diferenciais opcionais dentro da cadeia de fornecimento do bloco. Estão virando requisito de entrada.

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Prêmio iF Design

iF Design Award 2026

Sabe o que é melhor do que ter um cliente premiado no iF Design Award?

Ter dois!

O prêmio alemão iF Design Award existe desde 1954 e é uma das premiações de design mais reconhecidas no mundo. Nesta edição de 2026, a cerimônia ocorreu em Berlim, no dia 27 de abril. O Brasil bateu seu recorde, conquistando 112 dos prêmios deste ano. E 3 deles ficaram com nossos clientes.

  1. A Casa Alvorada, projeto da D76 Incorporadora, foi premiada na categoria arquitetura e também levou o iF Gold Award na categoria interiores. O Gold é o nível mais alto da premiação, entre mais de 10 mil inscrições globais, apenas 75 projetos recebem esse selo.

A UGREEN atuou nesse projeto com uma consultoria completa: análise bioclimática, análise termoenergética e lumínica, e avaliação de materiais com pegada de carbono. Esse último gerou um relatório com o carbono embutido de todos os materiais, desde a estrutura primária, a estrutura secundária até chegar aos acabamentos.

A baixa pegada de carbono dos materiais foi um dos fatores que pesaram na avaliação do júri. O outro foi a lógica da planta: a casa foi projetada para atravessar três gerações. Com poucas intervenções, o espaço se adapta de um casal para uma família com filhos e, depois, para moradores idosos. Decisões técnicas foram tomadas para reduzir custo e retrabalho ao longo de décadas.

  1. A Roca Cerámica, parceira da UGREEN desde 2019, também foi premiada. Sua condecoração se deu pela experiência imersiva criada no stand da Expo Revestir 2025, também na categoria Interiores - Exibição em Feira. A Roca chegou a essa premiação carregando uma trajetória consistente: foi a primeira indústria de revestimentos cerâmicos do Brasil a realizar uma Análise do Ciclo de Vida e reduziu 33% da intensidade de suas emissões entre 2020 e 2024. Uma marca com esse nível de evidência técnica se destaca em um evento deste porte. O prêmio de design foi o resultado visível de um processo que vinha sendo construído há anos.

Curiosidade

Conheça a obra de drenagem mais cara do mundo e como ela diz sobre como projetamos água

G-Cans: sistema subterrâneo ajuda a proteger Tóquio contra inundações.

Quando um arquiteto ou engenheiro define a estratégia hídrica de um projeto, raramente está pensando no pior cenário possível.

Está sendo pensado no evento de chuva típico de região, no padrão de consumo esperado e na norma vigente. Essa lógica é racional, e também é o ponto onde boa parte dos projetos falha quando o clima muda de padrão.

O G-Cans existe porque o Japão decidiu fazer o oposto.

A estrutura fica a 50 metros de profundidade, em Kasukabe, a 30 quilômetros de Tóquio. São 6,3 km de túneis, cinco silos de captação com até 65 metros de altura e um reservatório central equivalente a dois campos de futebol. Quando os rios da região metropolitana atingem nível crítico, a água entra no sistema, perde velocidade em 59 colunas de concreto e é bombeada para o Rio Edogawa antes de causar dano.

O sistema foi dimensionado para resistir a tufões. Não ao evento médio. Ao pior evento registrado.

A decisão de projeto não foi técnica. Foi sobre qual padrão de risco a cidade estava disposta a aceitar. A engenharia veio depois.

O que o G-Can revela não é que o Japão tem mais dinheiro ou tecnologia mais avançada.

É que a pergunta de partida foi diferente. Em vez de “quanto custa construir proteção suficiente para o padrão atual?”, a pergunta foi “qual é o custo de não ter proteção quando o padrão muda?”. Essa inversão define o resultado, projetos que partem da segunda pergunta chegam a soluções mais robustas, mais caras no começo e muito mais baratas ao longo do tempo.

O Brasil conhece essa conta na direção errada.

As enchentes de Porto Alegre em 2024 expuseram um sistema de proteção contra cheias concebido nos anos 1970 que parou de receber manutenção adequada ao longo das décadas. A infraestrutura existia, mas o compromisso com ela não. Resultando em uma cidade alagada, imóveis destruídos e um passivo de reconstrução que custou muito mais do que a manutenção preventiva custaria.

Para quem projeto edificações, a leitura prática está em dois lugares

  1. A drenagem do lote e do entorno imediato: sistemas de captação de águas pluviais, permeabilidade do solo, dimensionamento de reservatórios de amortecimento. Esses elementos costumam ser tratados como detalhe de fim de projeto, definidos depois que as decisões maiores já estão tomadas. Quando eventos extremos se tornam mais frequentes, esse detalhe vira risco natural.

  2. O valor do imóvel: propriedades em áreas sem gestão hídrica adequada já sofrem desvalorização em mercados com histórico de alagamento. Esse desconto tende a crescer à medida que seguradoras e bancos incorporam risco climático nos modelos de precificação.

O G-Cans é uma obra excepcional por escala e investimento. Mas a lógica que o gerou cabe em qualquer projeto, independente do porte.

A diferença está em quando essa pergunta entra no processo: no início, quando ainda é possível mudar, ou depois, quando o custo de não ter feito aparece na conta?!

Vídeo da Semana

A cidade mais cara do mundo e seus moradores vivem em caixões

Hong Kong tem o metro quadrado mais caro do mundo. E parte da população mora em caixões de 2 m².

Não é uma metáfora, são literalmente cubículos de metal ou madeira fina, dentro de apartamentos subdivididos, sem ventilação e sem luz natural. Cerca de 220 mil pessoas vivem assim hoje. O aluguel de um desses espaços chega a R$ 2.000 por mês.

O argumento mais comum é que a ilha não tem espaço físico … mas não é isso.

Os preços em Hong Kong são altos porque o sistema foi construído para que fossem. O governo colonial britânico estruturou a arrecadação pública em torno da venda de terra cara, já o Estado passou a depender de preços altos para financiar infraestrutura, e o mercado imobiliário, concentrado em poucas grandes incorporadoras, aprendeu a controlar a oferta para manter a demanda sempre maior.

Nenhum dos dois lados tem incentivo real para baixar os preços.

O resultado é um mercado onde o preço médio de um imóvel chega às 25 vezes a renda anual de quem mora lá. No Brasil, essa relação era de 8 a 10 vezes há 20 anos. Hoje está perto de 15.

O problema não é escassez de espaço. É que a moradia foi transformada em ativo financeiro. E quando isso acontece, quem tem menos dinheiro paga mais caro por menos espaço.

Assista ao vídeo completo no Youtube e entenda como a crise habitacional de Hong Kong foi construída, quais os mecanismos que a sustentam e o que isso tema dizer sobre o caminho que algumas cidades brasileiras estão tomando.

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