Notícia

Em meio à metade e fim do mês de maio de 2026, a Europa Ocidental presenciou uma onda de verão incomum, se caracterizando como uma anomalia de primavera com intensidade de julho.

  • No Reino Unido, o termômetro chegou a 35,1°C em Kew Gardens, em Londres, quebrando o recorde histórico de temperatura para maio por dois graus.

  • Já na França, o serviço meteorológico Météo France acionou seu sistema nacional de alerta pela primeira vez desde sua criação em 2004.

  • E em Portugal, a temperatura chegou a 40,3°C na cidade de Mora

Estas temperaturas resultaram em quebras de recordes nos três países para o mês de maio, ficando 10 a 15°C acima da média histórica para o período, segundo dados do serviço Copernicus da União Europeia.

Novas diretrizes lançadas pela OMS em junho

Duas semanas após a onda de maio, a Organização Mundial da Saúde lançou a segunda edição do Guia de Planos de Ação em Saúde e Calor, em conferência realizada no Ministério Federal do Meio Ambiente da Alemanha. A primeira edição havia sido publicada em 2008.

O documento apresenta um framework atualizado com oito elementos contrais:

  • Governança;

  • Sistemas de alerta;

  • Populações de risco;

  • Comunicação;

  • Resisliência;

  • Redução de exposição ao calor;

  • Vigilância e avaliação.

O objetivo declarado é não tratar ondas de calor como emergências isoladas, mas como um risco climático recorrente que exige redesenho de cidades, espaços de trabalho e sistemas de saúde.

Hans Kluge, diretor regional da OMS/Europa, apresentou o seguinte dado: mais de 200.000 pessoas morreram por calor na Europa nos últimos quatro anos, e a declaração da agência mostrou que quase todas essas mortes eram evitáveis.

+200.000 mortes por calor na Europa entre 2022 e 2025, segundo a OMS

62.775 mortes estimadas só em 2024, segundo pesquisa publicada na Nature Medicine

120.000 mortes por anos projetadas até 2050, se planos de adaptação eficazes não forem implementados, segundo o Barcelona Institute for Global Health

O papel do edifício no problema

Segundo a Agência Europeia do Ambiente, os europeus passam entre 80% e 90% do tempo em ambientes internos.

Quando o calor externo sobe, o desempenho térmico do edifício decide o que o ocupante sente, sendo que a maior parte do estoque construído foi projetada para um clima que mudou - invernos frios, verões amenos e pouca necessidade de resfriamento.

Apenas 20% dos edifícios europeus têm ar-condicionado, pois as construções foram concebidas sem essa necessidade. Isolamento térmico, quando existente, é pensado para reter o calor no inverno, não para bloqueá-lo no verão. Janelas amplas e fachadas de vidro são escolhas que funcionavam bem em climas temperados, viraram captadores de calor solar em ondas de 35 a 40°C.

Instalar ar-condicionado em massa, resolve o sintoma imediato, mas cria outros problemas, alto consumo de energia, mais emissões e mais calor lançado para as ruas.

A saída indicada pela OMS e pelo World Resources Institute passa por outra combinação:

  • Sombreamento externo;

  • Materiais com alta inércia térmica;

  • Ventilação natural otimizada;

  • Coberturas verdes;

  • Design bioclimático.

Estas são medidas de projeto, não de instalação posterior.

De acordo com a Agência Internacional de Energia, o isolamento adequado e o sombreamento externo podem reduzir a demanda de resfriamento de um edifício em até 80%. A ventilação natural bem projetada pode também baixar a temperatura interna em até 9°C.

Europa, o continente que aquece mais rápido

A Europa aquece em um ritmo duas vezes superior à média global. O calor historicamente nunca esteve no centro do planejamento urbano ou das normas construtivas europeias, pois seu foco sempre foi o inverno.

Esse desajuste entre o clima do passado e o clima do presente é o mecanismo central do problema. O estoque europeu construído não foi projetado para o que está vivendo agora. E o custo aparece nos dados de mortalidade.

UGREEN Pass

Conforto térmico não se resolve com brise bonito

A maioria dos projetos decide orientação, vidro e sombreamento sem nenhuma simulação. O resultado aparece no primeiro verão: ambiente quente, climatização ligada o dia inteiro e cliente reclamando.

Conforto térmico se decide nas primeiras semanas de projeto, com dado, não com intuição!

  • Brise dimensionado errado bloqueia luz e não reduz calor;

  • Vidro escolhido sem cálculo aumenta o consumo de energia que deveria evitar.

Pensando nisso, o UGREEN Pass conta com um módulo dedicado a isso! Com simulação aplicada a climas diversos.

O conteúdo cobre a ASHRAE 55, a NBR 15575 para conforto térmico, leitura climática com Climate Consultant e simulação completa com OpenStudio e EnergyPlus, da modelagem até a comparação de cenários.

Continuar projetando sem estas simulações pode custar caro futuramente.

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Participação UGREEN

Filipe Boni no Programa 20 Minutos

No dia 15 de junho, Filipe Boni participou do Programa 20 Minutos, apresentado por Breno Altman, para uma conversa de mais de uma hora sobre urbanismo, especulação imobiliária e construção nas cidades brasileiras

Filipe tratou de mecanismos concretos: por que as cidades brasileiras crescem do jeito que crescem, quem paga a conta quando esse crescimento é mal planejado, e onde a edificação entra nessa equação.

Moradia como ativo, não para uso

Um dos tópicos centrais do debate foi a transformação da moradia em produto financeiro, onde Boni mencionou dados assertivos: em São Paulo, uma família levava 6 anos de trabalho para comprar um apartamento de 90m², atualmente leva 15 anos para comprar 45m².

Este mecanismo teve início em 1977, com a liberação dos fundos imobiliários do Brasil. A partir daí, o capital passou a entrar na construção com lógica de retorno financeiro, tornando a localização um fator mais importante que o desempenho da edificação.

O que o morador vai sentir dentro do imóvel, em termos de conforto térmico, acústica e qualidade do ar, raramente entra na equação de produto.

Esse mesmo movimento explica a explosão dos imóveis minúsculos. Em São Paulo, em 2006, habitações abaixo de determinada metragem representavam 6% dos lançamentos. Em 2018, chegaram a 62%, e hoje, estão em 75%.

Isso não é resultado de uma demanda por espaços menores, na verdade, é a lógica de investimento, onde o imóvel compacto cabe melhor na prestação e rende mais no Airbnb.

A norma existe, já a aplicação …

Desde 2013 existem normas de desempenho de edificações que cobrem requisitos de conforto térmico, acústico e estrutural para habitações.

Filipe descreveu o que acontece na prática: “Ela existe, mas não é obrigatória por licenciamento e raramente é fiscalizada. Um apartamento pode ser entregue legalmente sem que o comprador tenha qualquer garantia de desempenho real.”

Também exemplificou da seguinte maneira: “Uma edificação pode ter 60% de horas de conforto térmico ao longo do ano. Isso significa que em 40% do tempo o morador está em desconforto, seja por calor ou por frio. Esse 40% aparece na conta de energia, no ar-condicionado funcionando o dia inteiro, nas persianas sempre fechadas.”

E concluiu trazendo essa mesma lógica para a questão acústica: “a norma estabelece atenuação sonora mínima entre ambientes, mas a pressão por reduzir custo de obra empurra as especificações para o limite ou abaixo dele.”

O resultado do crescimento das cidades

Ao longo do episódio também foi abordado o espraiamento urbano, quando a cidade cresce empurrada por especulações de terrenos, ela se expande para regiões que exigem nova infraestrutura. Asfalto, energia, água, transporte, entre outros, são custos pagos pela cidade inteira, não apenas pelo incorporador que construiu longe.

Boni conectou isso diretamente ao clima: “cada deslocamento obrigatório tem emissão associada. Uma cidade que empurra moradia para longe do trabalho, do comércio e dos serviços é uma cidade que produz mais emissões de transporte por habitante, independente da eficiência da edificação individual.”

O consumo energético das construções representa 37% da pegada de carbono global, porém, se o morador precisa pegar dois ônibus para trabalhar e volta para um apartamento que esquenta no verão, a conta ambiental não fecha só com painel solar na cobertura.

Caso queira conferir o episódio completo, acesse o link abaixo e assista à entrevista inteira!

Vídeo da Semana

O Super El Niño não vai avisar antes de chegar

Os principais centros climáticos do mundo convergem para a mesma previsão: o El Niño em formação tem potencial de se tornar o mais intenso da história moderna.

Diferente do anterior, agora ele se desenvolve num planeta 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais. Para o Sul do Brasil, a expectativa é de chuvas significativamente acima da média histórica, tempestades mais intensas e ventos mais fortes.

Grande parte das casas em que moramos foram dimensionadas para um clima que já não existe mais.

  • Calhas → projetadas para eventos que já foram superados;

  • Coberturas → fixações que nunca foram inspecionadas;

  • Terrenos → progressivamente impermeabilizados, aumentando a velocidade e o volume de água chegando aos sistemas de drenagem.

Sistemas que operam bem em condições normais, porém colapsam exatamente quando mais precisam funcionar.

Quer se aprofundar no tema?

Assista ao vídeo completo no YouTube e entenda quais são os pontos críticos de uma residência diante de eventos climáticos extremos e o que fazer antes que o problema apareça.

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