Green Building Day XP

No dia 15 de maio, o Centro de Eventos da FIEP, em Curitiba, recebeu a primeira edição do Green Building Day XP, formato criado pela UGREEN para levar o conteúdo do GBD a um encontro menor, mais denso e próximo entre quem apresenta e participa.

Arquitetos, engenheiros, designers e representantes de empresas do setor da construção civil estiveram presentes. O evento contou com dois blocos de conteúdo e uma pausa para networking.

Grande parte dos participantes permaneceu no espaço até as 21h, muito além do encerramento oficial às 18h30.

O que estava em jogo na tarde

Abrimos o bloco de maneira direta: por que edificações brasileiras continuam repetindo os mesmos problemas de desempenho?

Filipe Boni e Sami Meira conduziram a discussão a partir de dados concretos, mostrando que calor excessivo, contas de energia elevadas e desconforto térmico não são coincidência, mas na verdade consequências de decisões de projeto tomadas sem critério bioclimático.

Após isso, cada mesa recebeu um desafio: pensar estratégias para tornar uma edificação mais sustentável em três contextos climáticos distintos, Manaus, Brasília e Curitiba.

Enquanto cada mesa realizava seu debate diante da dinâmica, Filipe Boni realizou simulações ao vivo, demonstrando a todos como as estratégias discutidas se comportam computacionalmente.

Houve trocas entre participantes, perguntas e muitos diálogos técnicos sobre o assunto.

Certificações, cases e o que os números mostram

Ana Julia Kfouri abriu o segundo bloco com as principais certificações ambientais para edifícios: LEED, EDGE, AQUA-HQE, WELL e Selo Casa Azul, entre outras. Além de explicar os requisitos necessários, a discussão girou em torno de uma pergunta pertinente: quando vale a pena certificar e quando não vale?

Na sequência, um case real de consultoria da UGREEN reafirmou o argumento aplicado.

Em uma escola pública em Gravataí/RS, decisões de projeto reduziram o consumo energético de 455 MWh para 279 MWh anuais, queda de 38,7%. Com geração fotovoltaica de 38 kWp, a redução chegou a 51%, somando 21 pontos na certificação LEED.

Taxonomia Sustentável e o que muda no financiamento

Sami Meira fechou o conteúdo técnico com a Taxonomia Sustentável Brasileira.

Estabelecida pelo Decreto 12.705/2025, ela define o que conta como investimento sustentável no Brasil e vincula esse critério ao acesso a crédito verde a partir de 2027.

Quem não conseguir comprovar desempenho com dados auditáveis vai pagar mais caro para financiar ou perder acesso às linhas.

Para mostrar que este caminho já conta com praticantes no mercado, a UGREEN apresentou o trabalho realizado junto à Roca Brasil Cerâmica. Com substituição de coque por biomassa e gestão contínua de KPIs, a empresa fechou o ano de 2024 com 4,55 kgCO₂e/m² produzido, abaixo da média italiana (5,0) e espanhola (5,5), com redução de 33% na intensidade de emissões desde 2020 e 10.531 tCO₂ evitadas no período.

Patrocinadores e estandes

Rain Bird, Breton e Mão Colorida participaram como patrocinadores do GBDXP.

Além de se apresentarem no palco durante o primeiro bloco, as três marcas mantiveram estandes ativos durante todo o período do evento, com profissionais e representantes disponíveis para conversa direta.

O que fica

Um formato menor, mais interativo e com menos distância entre palco e plateia: essa foi a proposta do Green Building Day XP desde o início!

Nas avaliações coletadas após o evento, participantes descreveram o conteúdo como “instrutivo e acessível” e destacaram a proximidade dos apresentadores como diferencial: “networking muito bom, principalmente pelos palestrantes serem tão acessíveis.”

Curitiba foi a primeira cidade, mas já estamos avaliando a possibilidade de levar o formato XP para outros lugares do Brasil!

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Estudar com um método confuso não vira critério técnico

Sem uma sequência lógica e contínua, o aprendizado vira acúmulo de conteúdo que não muda decisão nenhuma.

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Um profissional que busca melhorar o desempenho térmico em seus projetos segue um caminho diferente de um profissional que necessita compreender certificações.

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Notícia

A nova lei de licenciamento ambiental já está em vigor. Seu projeto pode estar em risco sem que você saiba.

O Brasil unificou as regras ambientais para a construção. A velocidade prometida tem um custo oculto que a maioria dos escritórios ainda não calculou.

A Lei 15.190/2025 entrou em vigor em fevereiro de 2026. Ela substituiu décadas de normas fragmentadas entre resoluções do CONAMA e regulamentações estaduais e municipais sem padrão único.

A promessa: um processo de licenciamento mais rápido, claro e previsível para construtoras, incorporadoras e projetistas.

Embora a promessa seja real e concreta, o risco também é.

O que mudou de fato

A lei criou três modalidades de licença. A mais relevante para o setor é a Licença por Adesão e Compromisso, a LAC. Ela funciona da seguinte maneira:

  • O empreendedor declara que sua atividade se enquadra em critérios de baixo impacto;

  • A licença é concebida com base nessa declaração;

  • O órgão ambiental realiza vistorias por amostragem depois, não antes.

Não há análise técnica prévia obrigatória de um órgão ambiental. A responsabilidade técnica, civil e administrativa recai sobre quem assinou a autodeclaração.

O que isso significa na prática

A agilidade é existente, mesmo não eliminando o risco, muda quem o carrega.

Antes, um licenciamento lento significava esperar o órgão ambiental, agora, um licenciamento rápido pode significar um projeto que avança sem análise adequada, com o empreendedor e seus técnicos como únicos responsáveis saco algo saia errado.

Três Ações Diretas de Incostitucionalidade foram protocoladas no STF entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, por partidos e organizações sociais.

O Greenpeace afirmou que a lei aumenta a insegurança jurídica no licenciamento brasileiro.

A lei está em vigor, mas sua estabilidade jurídica ainda está sendo testada.

O que escritórios e construtoras precisam fazer agora

Para quem projeta ou constrói com critérios ambientais, três pontos são prioritários:

  • Documentar mais, não menos. A autodeclaração exige que a evidência esteja em mãos antes de assinar. Laudos técnicos, análises de impacto e registros de decisão de projeto não são opcionais.

  • Entender qual modalidade se aplica ao seu caso. A LAC não é universal. Projetos com maior potencial de impacto seguem fluxos diferentes, e confundir as categorias gera risco jurídico direto.

  • Tratar sustentabilidade como critério técnico registrado. Projetos que já trabalham com simulações de desempenho, análise de materiais e rastreabilidade de decisões estão melhor posicionados para cumprir exigências autodeclaratórias com segurança.

Por que isso é uma oportunidade para quem já trabalha com método

A lei não é favorável a quem usa agilidade como atalho. Ela é vantajosa a quem tem processo.

Escritórios e construtoras com documentação técnica sólida vão usar a LAC com segurança.

Quem não tem irá assumir uma responsabilidade que não consegue sustentar.

O licenciamento ficou mais rápido no papel, e a exigência técnica sobre quem projeta ficou maior na prática.

Vídeo da Semana

Por que a sustentabilidade some antes mesmo de chegar à obra?

Certos projetos começam com placa solar, madeira engenheirada e sistema de reuso de água. Quando chega ao canteiro, a madeira virou concreto, foi reduzida ao mínimo da norma e o sistema hídrico sumiu do escopo. A justificativa é sempre custo ou risco de fornecimento.

A solução para estes problemas existe, já foi testada e possui dados de desempenho, porém, o que trava é a forma como o setor decide, aprova e compra.

Uma burocracia mais longa significa capital parado, comprometendo o retorno, e quando o incorporador faz essa conta, a solução sustentável desaparece da planilha antes de entrar na obra.

O que poderia ser critério de decisão fica como item cortável no orçamento. Entender por que isso acontece é o primeiro passo para mudanças.

Quer entender mais sobre o tema?

Assista ao vídeo no YouTube e entenda por que soluções sustentáveis não saem do nicho no Brasil.

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