Notícia
No fim do mês de março de 2025, o USGBC (U.S. Green Building Council) ratificou o LEED v5 por voto de seus membros, abrindo o registro de projetos em abril do mesmo ano. A transição entre versões segue um processo gradual, mas o prazo final de coexistência está se encerrando.
Em 30 de junho de 2026, o registro para as versões LEED v4 e v4.1 fecha definitivamente para os sistemas comerciais BD+C, ID+C e O+M. A partir de 1º de julho, todos os novos projetos que buscarem certificação LEED precisarão se registrar obrigatoriamente sob a versão 5.
Projetos já registrados sob v4 e v4.1 antes da data-limite mantêm o direito de certificar, mas com prazo até 30 de junho de 2032. Após isso, essas versões ficam encerradas para qualquer novo processo.
Registro v4 e v4.1 encerra
30 jun 2026
v5 obrigatório a partir de
1 jun 2026
Prazo para certificar sob v4
até jun 2032
Projetos LEED no mundo
+195 mil
em 186 países
O que muda no v5
Carbono embutido vira pré-requisito. Pela primeira vez no LEED, todo projeto precisa quantificar e identificar as emissões de A1 a A3 de estrutura, fechamento e pavimentação antes de acumular qualquer ponto. A mensuração é obrigatória; a redução entra como critério separado.
50% do sistema focado em descarbonização. O v5 reorganiza a estrutura de créditos em três pilares: descarbonização (50%), qualidade de vida (25%) e resiliência ecológica (25%). A descarbonização passa a incluir carbono operacional, carbono embutido, refrigerantes e transporte.
Platinum ganha requisitos mínimos de performance. Para atingir Platinum, projetos de nova construção precisam demonstrar ao menos 20% de redução de carbono embutido, além de 100% de energia renovável e metas mínimas de eficiência energética e eletrificação.
Novos pré-requisitos de avaliação de contexto. Todo projeto precisa realizar uma avaliação de risco climático, uma avaliação de impacto humano e uma projeção operacional de carbono até 2050 ainda na fase de projeto.
EPDs passam a ser exigência funcional. O crédito de materiais consolida cinco créditos anteriores em um único sistema de pontuação por atributo, em que produtos com EPD tipo III verificada acumulam multiplicadores progressivos. Sem EPD, o projeto perde acesso à maior parte da pontuação de materiais.
Brasil no contexto global: o país está entre os cinco maiores mercados de LEED no mundo em número de projetos. O primeiro espaço certificado sob LEED v5 no mundo é brasileiro: a Portobello Shop Jardim Social, em Curitiba (PR), certicada Platinum.
O que isso significa
A transição para o LEED v5 não é uma atualização de formulário. É uma mudança na forma como o sistema define o que conta como desempenho. No v4, a análise de ciclo de vida era opcional, uma forma de acumular créditos adicionais. No v5, ela é pré-condição. Sem ela, o projeto não avança.
O efeito mais direto aparece na especificação de materiais. Estruturas, fechamentos e pavimentações precisarão de EPDs verificadas desde o início do projeto, não como diferencial de comunicação, mas como documento técnico de rastreabilidade de carbono exigido pelo processo de certificação.
Para times que trabalham com projetos de ciclo longo, a data de 30 de junho é uma bifurcação. Registrar antes significa avançar com as regras do v4. Registrar depois ou não registrar a tempo significa entrar obrigatoriamente no v5, com todos os novos pré-requisitos e a necessidade de adaptação de processo e escopo técnico.
O USGBC confirmou ciclo de atualização quinquenal: o LEED v6 está previsto para abrir registros em 2030. Ou seja, o v5 deverá ser o sistema vigente pelos próximos quatro anos ao menos.
Fontes: USGBC (usgbc.org/leed/v5, support.usgbc.org); One Click LCA; Ayers Saint Gross; Green Badger; AIA.
UGREEN Pass
O LEED v5 vai mudar o que se exige de uma equipe técnica. O seu repertório precisa acompanhar!
O LEED v5 torna obrigatório o que até ontem era opcional: análise de ciclo de vida, quantificação de carbono embutido e rastreabilidade de materiais.
Qualquer equipe que for registrar projetos a partir de julho precisa saber operar dentro dessa lógica.
Esse repertório não aparece do nada. Ele precisa ser construído antes do projeto chegar à mesa!
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Case UGREEN
O hotel projetado para o calor mais intenso do Brasil
Os escritórios de arquitetura Khoury e Laura Ducca possuem um projeto em andamento no Piauí, próximo à linha do Equador.
Um hotel com boa arquitetura e intenção clara de qualidade, mas com uma condição climática que não perdoa quem a ignora: fachadas principais voltadas para oeste, numa região onde o sol bate forte das 14h às 18h, com pico entre agosto e outubro.
Este tipo de problema acaba não aparecendo no render, na verdade, aparece na conta de energia, no sistema de ar-condicionado sobredimensionado e no hóspede que passa a tarde inteira no quarto com o termostato no limite.
O que a análise revelou
A UGREEN entrou com a simulação bioclimática para entender o que aconteceria com a edificação naquele clima e orientação.
O resultado apontou duas situações distintas: (i) os quartos precisavam de controle solar preciso para não acumular calor no fim da tarde. (ii) As áreas de convivência tinham um desafio diferente: bloquear o sol sem eliminar a iluminação natural e sem transformar o restaurante em um ambiente fechado e artificial.
Para cada ambiente, a análise chegou a uma solução específica, dimensionada por dados, não por intuição.
Quartos: geometria no detalhe
A resposta para os quartos foi um sistema de venezianas verticais externas feitas em madeira. Ripas de 2 cm de espessura, espaçamento de 6 cm entre elas e inclinação de 30°. Cada uma dessas configurações foi testada em simulação antes de virar especificação.
Essa combinação resultou na redução de 14% no consumo de resfriamento, aumento de 7% nas horas de conforto térmico e capacidade do sistema de climatização reduzida de 34.000 para 29.000 BTU.
São diferenciais que impactam de forma concreta a conta de energia e a experiência de quem dorme no quarto.
Áreas de convivência: o sol muda de ângulo ao longo do ano
Para os espaços coletivos, a solução foi brises verticais externos móveis, com inclinação ajustável entre 15° e 45° conforme a estação e espaçamento entre painéis variando de 85 cm até 1,2 m.
A análise definiu a configuração ideal para cada período do ano, considerando as diferentes posições do sol ao longo das estações.
O que demonstrou impacto foi a redução de 8% no consumo de resfriamento e eliminação do ofuscamento direto, sem comprometer a entrada de luz natural. O restaurante recebe luz sem que o sol do fim de tarde fique no rosto dos hóspedes.
Na operação de um hotel, esse tipo de detalhe aparece na avaliação ou na reclamação de quem utiliza o espaço.
Quando tudo é combinado
Além do controle solar, o estudo incluiu isolamento térmico na cobertura e especificação de vidro com fator solar reduzido.
Com todas as estratégias aplicadas em conjunto, o impacto chegou a 37% de redução no consumo de resfriamento nos quartos e 20% nas áreas de convivência.
Isso muda o dimensionamento dos equipamentos, o custo de instalação e a conta mensal de energia que o hotel vai carregar pelos próximos anos.
O que esse tipo de análise entrega
Boa arquitetura não garante bom desempenho térmico. Clima, orientação, abertura, material e proteção solar precisam ser avaliados juntos, com dados, antes que a especificação vire obra.
É esse tipo de análise que UGREEN realiza: simulação bioclimática aplicada ao projeto real, com resultado em número e em decisão de projeto.
Esse projeto chamou a atenção e/ou você está buscando algo do gênero?! Entre em contato conosco!
Vídeo da Semana
A planta baixa foi feita para você comprar, não para morar
A planta baixa era um documento técnico, mostrava parede, medida, pilar, espessura da estrutura e limites reais da construção. Sua função primária era orientar a obra.
Hoje ela orienta outra coisa … o desejo.
As versões que você vê em folders possuem mobiliário reduzido, sem as cotas que mostram o que não cabe, sem os elementos construtivos que encurtam o espaço real.
Enquanto o decorado remove portas para o olhar atravessar o ambiente com mais facilidade, o render usa uma lente que o olho humano não tem. Tudo isso são ações legais perante a justiça e mudam o que você percebe antes de assinar o contrato.
O problema não é a imagem em si, é a dívida de 20 ou 30 anos que a pessoa está assumindo que se baseia nessa “foto”.
Quando a planta não é feita para funcionar, mas para vender, o comprador acaba descobrindo o impacto dessa diferença tarde demais.
Quer se aprofundar no tema?
Assista ao vídeo completo no YouTube e entenda o que a planta humanizada esconde de você.



