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Novo "concreto" pode revolucionar construções verdes
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Notícia
Novo material estrutural enzimático propõe revolução na construção sustentável

Foto: Worcester Polytechnic Institute
O concreto é o material mais usado no mundo, porém … é também um dos mais poluentes.
Produzimos mais de 4 bilhões de toneladas de cimento por ano, e isso gera cerca de 8% das emissões globais de CO₂. Só a indústria do cimento emite mais carbono que qualquer país, exceto China e EUA.
Para mudar esse cenário, pesquisadores do Worcester Polytechnic Institute (WPI) desenvolveram uma solução inovadora: o Material Estrutural Enzimático (ESM). Ele não só evita emissão de CO₂ como também remove carbono da atmosfera durante a produção.
Por que o concreto polui tanto?
A fabricação de cimento depende de um processo chamado calcinação, que exige que o calcário seja aquecido a mais de 1.400°C. Isso gera emissões por dois motivos:
60% vêm da quebra química do calcário, liberando CO₂ mesmo com energia renovável.
40% vêm da queima de combustíveis fósseis para manter o forno aceso.
Além disso, o concreto tradicional tem um processo lento de cura (28 dias), é difícil de reciclar e se transforma em resíduo no fim da vida útil.
Como funciona o ESM?
O ESM é feito com base em um processo natural de biomineralização. Ele copia como conchas e ossos se formam na natureza: em temperatura ambiente, com uso de enzimas.
A Enzima-Chave: Anidrase Carbônica (CA)
Essa enzima catalisa a reação entre CO₂ e água, transformando o carbono em carbonato de cálcio (CaCO₃). Essa substância mineral sólida forma a base do ESM.
Como o material ganha forma
O ESM usa:
Areia;
Polímero solúvel em água;
Hidrochar (um subproduto de biomassa, que serve como base para os cristais de CaCO₃ crescerem)
O resultado é um material sólido, que endurece em poucas horas e se liga por meio de cristais de calcita, não por silicatos como o concreto comum.
ESM vs. concreto
Critério | ESM | Concreto tradicional | Observação |
|---|---|---|---|
Resistência à compressão | 25,8 MPa | 20-40 MPa | Adequado para obras residenciais |
Emissões de CO₂ | - 6,1 kg/m³ (sequestro) | + 330 kg/m³ (emissão) | Impacto ambiental positivo |
Tempo de cura | Horas | 28 dias | Mais rápido e produtivo |
Reciclabilidade | Alta | Baixa (downcycling) | Economia circular |
Capacidade de autocura | Presente | Inexistente | Menor custo de manutenção |
O ESM já é estruturalmente viável para casas, calçadas e elementos pré-moldados. Ainda não alcança a resistência de estruturas como pontes ou arranha-céus, mas os testes continuam.
Carbono negativo e economia circular
Diferente de outros materiais “neutros em carbono”, o ESM é carbono-negativo. Para cada metro cúbico produzido:
Evita a emissão de até 330 kg de CO₂;
Remove mais 6,1 kg de CO₂ da atmosfera.
Em um projeto com 10.000 m³ de ESM, a economia de carbono seria como tirar 700 carros das ruas por um ano.
Além disso, o ESM pode ser tributado e reutilizado com menos energia. A enzima pode até reativar e curar fissuras com o tempo, prolongando a vida útil de estruturas.
Custo e comercialização
Hoje, o ESM custa cerca de US$ 220/m³, frente a US$ 163/m³ do concreto comum. Mas:
A cura rápida reduz o tempo de obra;
A autocura diminui a manutenção;
A economia de carbono pode gerar créditos.
Esses fatores ajudam a compensar o custo inicial. A startup Enzymatic Inc., criada pelos próprios pesquisadores, já recebeu financiamento da National Science Foundation e está avançando na produção em escala.
Impacto global
O ESM pode ser produzido localmente, sem fornos. Isso o torna ideal para:
Reconstrução rápida após desastres naturais;
Habitação de baixo custo em países em desenvolvimento.
Além disso, o projeto colabora com programas educacionais, como o Girls Inc., para ensinar engenharia a meninas em comunidades sub-representadas.
Conclusão
O Material Estrutural Enzimático representa uma mudança de paradigma. Sai o modelo de alta emissão, entra a química biológica regenerativa.
É um caminho real para transformar a construção civil em parte da solução climática e não mais um problema.
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Vídeo
O calor nas cidades brasileiras não é por acaso

Imagem: Jovem Pan
Em pleno século XXI, morar numa cidade brasileira está se tornando um desafio térmico. E a culpa não é só do aquecimento global. O aumento das temperaturas urbanas é, em grande parte, consequência direta do modo como nossas cidades foram planejadas, ou melhor dizendo, mercantilizadas.
A urbanização acelerada, orientada pela especulação imobiliária e pelo crescimento desordenado, tem sufocado os mecanismos naturais de resfriamento das cidades. A consequência? Noites quentes, ar parado, ventilação natural comprometida e uma crescente dependência de aparelhos de ar-condicionado. Mas essa solução individual tem um custo coletivo: mais consumo energético, mais emissão de calor, mais ilhas de calor urbanas.
As cidades perderam sua capacidade de respirar.
Prédios altos que barram o vento. Calçadas e ruas totalmente impermeabilizadas. Falta de vegetação e espaços sombreados. Materiais de construção que acumulam calor durante o dia e o devolvem à noite. E o que é ainda mais alarmante: essa lógica urbana afeta, sobretudo, as populações mais vulneráveis. Os bairros mais quentes das cidades são, quase sempre, os que concentram a maior população de baixa renda.
Estamos diante de um problema estrutural, que não se resolve com um “jardim de chuva” aqui e uma “parede verde” ali. Não se trata de enfeitar a cidade, mas de repensar profundamente como ela funciona e para quem ela funciona.
Se o calor virou um problema urbano, a solução precisa ser coletiva, estrutural e política.
Quer entender como chegamos até aqui e, principalmente, como podemos sair desse ciclo vicioso?
Confira o vídeo completo que inspirou essa discussão e aprofunde-se no tema!
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