Notícia

No dia 19 de maio deste ano (2026), o UNEP (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e a GlobalABC lançaram a décima edição do Global Status Report for Buildings and Construction 2025-2026, no Fórum Urbano Mundial, em Nairóbi.

Só o título do documento já diz o essencial: Building Fast. Falling Short. ("fazer rápido, mas fazer malfeito”)

O relatório avalia anualmente se o setor de edificações está alinhado com o Acordo de Paris. Em 2026 a resposta foi não. É importante destacar que a descarbonização vem perdendo velocidade desde 2020.

37%

das emissões globais de CO₂ vêm do setor de edificações

~50%

de toda a extração de materiais do planeta é consumida pelo setor

9,9 GtCO₂

emissões operacionais dos edifícios em 2024, alta de 6,5% na década

273 bi m²

área total construída no mundo em 2024, crescimento de 1,7% em um ano

O paradoxo central

Nos últimos dez anos, os edifícios ficaram objetivamente mais eficientes. A área construída cresceu 20%, mas a demanda de energia subiu apenas 11%. Códigos mais rígidos e investimento em eficiência funcionaram. Desde 2015, o setor acumulou US$ 2,3 trilhões em investimentos nessa direção.

Ainda assim, as emissões operacionais aumentaram 6,5% no mesmo período. O problema não está no edifício individual, mas no volume e no ritmo da construção global.

O que melhorou

Intensidade energética por m² caiu 8,5% desde 2015

O que não acompanhou

Emissões totais do setor ainda sobem todo ano

Todo dia, o mundo adiciona 12,7 milhões de m2 de área nova, o equivalente a construir uma cidade do tamanho de Paris inteira por semana. A eficiência por edifício melhorou. A escala do projeto cresceu mais rápido.

Por que isso acontece

O crescimento da construção está concentrado em economias emergentes, especialmente Índia e Sudeste Asiático, onde a demanda por moradia e infraestrutura é real e urgente. Códigos de eficiência energética ainda não cobrem a maior parte dessas obras.

Renováveis forneceram apenas 17,3% da demanda energética dos edifícios em 2024, longe do necessário para uma trajetória net-zero.

O relatório aponta um segundo problema estrutural: a maioria das análises ainda separa emissões operacionais de emissões incorporadas.

O carbono emitido para fabricar, transportar e instalar os materiais da obra fica fora da conta em grande parte das regulações globais.

O que o relatório aponta como caminho

Para alinhar o setor com as metas climáticas, o relatório estima que o investimento em eficiência energética precisa mais que dobrar, chegando a US$ 5,9 trilhões até 2030, ou US$ 592 bilhões por ano.

Hoje o setor investe US$ 275 bilhões anuais nessa direção.

No lado positivo: a União Europeia avançou com políticas que cobrem também o carbono incorporado nos materiais. Califórnia, Quênia, Japão e Singapura atualizaram seus códigos de eficiência. E certificações verdes quase triplicaram em dez anos, mesmo que o relatório reconheça que isso não basta sozinho.

Metade dos edifícios que existirão em 2050 ainda não foram construidos. O que for decidido agora, em projeto, especificação e material, vai determinar emissões, custos de operação e conforto por décadas.

O que isso significa

O relatório, além de abordar o clima, foca no risco de ativo e custo de operação.

Edifícios construídos hoje com baixo critério de eficiência vão operar com conta de energia mais alta, manutenção mais cara e crescente dificuldade de atender exigências regulatórias que só tendem a ficar mais rígidas.

Ele também sinaliza uma pressão que chega ao mercado de crédito: investimento em eficiência é cada vez mais critério de acesso a financiamento, não só argumento de venda. E o carbono incorporado nos materiais está entrando nos marcos regulatórios de países que lideram a agenda, como a União Europeia.

Para o mercado brasileiro, o dado mais relevante é o da janela: com metade do estoque de 2050 ainda por construir, as decisões de projeto tomadas agora têm impacto de décadas.

Quem antecipar os critérios de desempenho não só reduz risco regulatório, como melhora o custo de operação do produto entregue ao cliente final.

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GBDXP

Confira tudo o que ocorreu no Green Building Day XP em Curitiba!

No dia 15 de maio, arquitetos, engenheiros, designers e representantes de empresas do setor da construção civil se reuniram no Centro de Eventos da FIEP, em Curitiba, para a primeira edição do Green Building Day XP. Formato criado pela UGREEN para ser menor, mais denso e mais próximo do que o Green Building Day principal.

Filipe Boni e Sami Meira abriram a tarde com uma questão direta: por que edificações brasileiras continuam repetindo os mesmos problemas de desempenho? Calor excessivo, contas de energia elevadas e desconforto térmico têm causa conhecida.

São consequência de decisões de orientação, especificação e sistema construtivo tomadas sem critério bioclimático, e que se repetem há décadas.

Cada mesa recebeu um desafio: definir estratégias para tornar uma edificação mais sustentável em Manaus, Brasília e Curitiba, três climas com lógicas completamente distintas. Enquanto o público debatia, Filipe rodou as simulações ao vivo na tela. Surgiram trocas entre mesas, perguntas em cima da hora e discussão técnica que costuma ficar só para o corredor.

"Nem vi o tempo passar", registrou um participante na avaliação.

No segundo bloco, Ana Julia Kfouri percorreu as principais certificações ambientais para edifícios, LEED, EDGE, AQUA-HQE, WELL e Selo Casa Azul, ancorando a discussão em uma pergunta prática: quando vale certificar e quando não vale?

Na sequência, Sami Meira trouxe a Taxonomia Sustentável Brasileira. Estabelecida pelo Decreto 12.705/2025, ela vincula acesso a crédito verde a critérios de desempenho ambiental verificável a partir de 2027.

Quem não tiver dados auditáveis vai pagar mais caro para financiar ou perder acesso às linhas.

Grande parte dos presentes ficou até as 21h, duas horas e meia depois do encerramento oficial. Nas avaliações, participantes descreveram o conteúdo como "instrutivo e acessível" e destacaram a proximidade com os apresentadores: "networking muito bom, principalmente pelos palestrantes serem tão acessíveis."

Curitiba foi a primeira cidade. A UGREEN avalia levar o formato XP para outras praças do Brasil em 2026. Nada confirmado ainda, mas quem quiser ser avisado antes sabe onde nos encontrar.

Participação UGREEN

A água virou critério de crédito

A construção civil corresponde a 15% do uso global da água.

No Brasil, o setor compete pelo mesmo recurso com a agropecuária, em regiões onde a disponibilidade hídrica já é limitada.

Esse dado não é algo novo, o que mudou é o que o mercado financeiro passou a fazer com ele.

A Taxonomia Sustentável Brasileira, regulamentada pelo Decreto 12.705/2025, incluiu eficiência hídrica entre os requisitos técnicos para acesso a linhas de crédito verde.

Na prática: empreendimentos que não conseguem documentar consumo de água, ações de redução e pegada hídrica ao longo do ciclo de vida ficam fora de determinados financiamentos.

A Caixa Econômica Federal já está desenvolvendo uma linha habitacional específica para construções certificadas, com recursos do governo federal e do Banco Mundial.

No dia 13 de maio, no Salão Nobre da Fiesp em São Paulo, o SindusCon-SP lançou a CEHídrica: uma calculadora de pegada hídrica para edificações, integrada à CECarbon, que o setor já usa para emissões de carbono.

A CDHU, que já utilizava a CECarbon em suas obras, anunciou que passará a adotar a CEHídrica em toda a cadeia de suas construções.

O evento reuniu mais de 160 participantes, com presença da ANA, Caixa e GBC Brasil.

Nossa cofundadora Sami Meira participou como palestrante com o tema “Comunicação e conscientização da indústria nas ações relacionadas à sua pegada hídrica”.

O foco foi direto: o que a Taxonomia exige de quem quer acessar crédito verde, e como comunicar dados de sustentabilidade de forma auditável, não apenas declarada.

A CEHídrica e a CECarbon já estão integradas, o que permite às construtoras gerenciar carbono e água dentro do mesmo sistema de monitoramento.

Construtoras que ainda não têm esse processo implantado chegam a essas negociações sem histórico de dados, sem base para redução progressiva e sem o que os financiadores estão começando a exigir como documentação mínima.

Vídeo da Semana

O inverno chega e o mofo vem junto

Todo inverno o mofo aparece no mesmo lugar, no canto das paredes, perto do teto e/ou atrás dos armários. Mesmo que você limpe, pinte e ventile o ambiente, no inverno seguinte, lá está ele de volta.

A explicação mais “comum” é que o morador está fazendo algo errado, que falta ventilação ou o apartamento é úmido por natureza.

Só que em boa parte dos casos, o problema não tem nada a ver com o comportamento de quem mora. Ele foi instaurado antes mesmo da obra terminar, em uma etapa do projeto onde ninguém estava pensando no inverno.

O que acontece é que a parede não se comporta de forma uniforme no frio. Há pontos onde o calor sai muito mais rápido do que em outros. Nesses pontos, a superfície interna esfria primeiro, e quando o ar úmido de dentro do ambiente encosta nessa área fria, a umidade se condensa.

A parede molha → o fundo cresce a cada temporada no exato mesmo lugar.

Se interessou pelo tema?

Assista ao vídeo completo no YouTube e entenda por que o mofo volta, de onde ele realmente vem e o que pode ser feito para evitá-lo!

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