Notícia
No dia 20 de maio de 2026, a Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU) adotou a resolução A/80/L.65, que endossa o parecer consultivo do Tribunal Internacional de Justiça (CIJ) sobre as obrigações dos Estados em relação às mudanças climáticas.
O texto foi proposto por Vanuatu, o mesmo pequeno Estado insular que liderou diplomaticamente a campanha para levar o tema ao tribunal, e reuniu 90 coparticipadores de todas as regiões do mundo.
Esta resolução finalmente desdobra um processo que levou três anos para chegar até aqui.
Março 2023 - A AGNU adota por consenso resolução solicitando ao TIJ um parecer sobre obrigações climáticas dos Estados.
Dezembro 2024 - O TIJ realiza audiências públicas. O processo reuniu o maior volume de submissões escritas da história do tribunal.
23 de julho de 2025 - O TIJ emite o parecer de forma unânime, apenas a quinta decisão unânime do tribunal em quase 88 anos de operação.
Fevereiro 2026 - Vanuatu introduz rascunho de resolução na AGNU para transformar o parecer em ação concreta.
20 de maio de 2026 - A AGNU adota a resolução A/80/L.65. Resultado:141 a favor, 8 contra, 28 abstenções.
Resultado da votação
A favor
141
países
Contra
8
países
Abstenções
28
países
Copatrocinadores
90
Estados
Quem votou contra: Belarus, Irã, Israel, Libéria, Rússia, Arábia Saudita, Estados Unidos e Iêmen. Os EUA enviaram cable diplomático em fevereiro de 2026 pedindo que países não apoiassem a resolução. O governo americano classificou a linguagem do texto como “alarmista” e incompatível com os marcos existentes de negociação climática.
O que é estabelecido pelo parecer da CIJ
O parecer consultivo de julho de 2025, emitido de forma unânime pelos 15 juízes do TIJ, respondeu a duas perguntas centrais feitas pela AGNU:
Quais são as obrigações dos Estados em relação às mudanças climáticas;
Quais são as consequências jurídicas quando essas obrigações são violadas.
A resposta à primeira pergunta reposicionou o Acordo de Paris. O tribunal interpretou o tratado não como declaração política, mas como instrumento jurídico com obrigações exigíveis. Reduzir emissões com base na meta de 1,5°C passou a ser enquadrado como dever legal, não como escolha de política pública.
Já em relação à segunda pergunta, foi aberto o caminho para responsabilização. O tribunal estabeleceu que Estados que violem obrigações climáticas são internacionalmente responsáveis, podendo ser obrigados a cessar a conduta, oferecer garantias de não repetição e fazer reparação integral pelos danos causados.
O parecer não é juridicamente vinculante por si só. Mas carrega peso legal e moral considerável: é a interpretação mais autorizada do direito internacional sobre o tema e serve como base para litígios em tribunais domésticos e regionais ao redor do mundo.
O que isso significa
O parecer da CIJ e a resolução da AGNU não criam, por si sós, novas leis nacionais. O efeito direto é diferente: eles constroem o fundamento jurídico que alimenta litígios climáticos domésticos e pressionam governos a regulamentar emissores privados com mais rigor.
O setor da construção civil emite cerca de 37% das emissões globais de CO₂, segundo a UNEP. É um dos maiores alvos de qualquer agenda de descarbonização compulsória. Quando tribunais nacionais começam a reconhecer o parecer da CIJ como referência jurídica, o nível de exigência sobre quem projeta, constrói e opera edificações sobe junto.
Já há precedente: um tribunal alemão reconheceu, no início de 2026, que grandes emissores podem ser responsabilizados sob o direito civil alemão pelas consequências das mudanças climáticas. O parecer da CIJ fornece o embasamento teórico para decisões como essa em qualquer jurisdição.
O ciclo que se abre é conhecido em outros setores: parecer internacional, litígio doméstico, pressão regulatória, novo padrão de exigência. Para o setor da construção, o sinal não é novo. Mas agora tem respaldo do órgão judicial máximo das Nações Unidas.
Fontes: UN News (news.un.org); EJIL:Talk!; Al Jazeera; Center for International Environmental Law (CIEL); Carbon Brief; IPS News; Climate Rights International; US Mission to the UN.
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Conteúdo Técnico
Brock Commons Tallwood House: o que um edifício de madeira de 18 andares ensina sobre carbono embutido

Em Vancouver, no ano de 2017, a Universidade de British Columbia entregou uma residência estudantil de 18 andares e 53 metros de altura, com capacidade para 404 estudantes e uma estrutura quase inteiramente de madeira laminada.
Do lado de fora, o prédio parece ordinário, mas do lado de dentro a madeira está encoberta por drywall, devido à exigência do código de incêndio. Quem entra no Brock Commons não percebe que está dentro de um edifício de madeira.
O que a estrutura armazena
A Acton Ostry Architects escolheu um sistema híbrido: 17 andares de painéis CLT de cinco camadas apoiados em colunas de glulam, sobre um podium de concreto de um andar e dois núcleos verticais de concreto para circulação vertical e instalações.
O Athena Sustainable Materials Institute conduziu uma LCA completa no edifício, seguindo o padrão EN 15978, com escopo cradle-to-grave de 100 anos. Os números do relatório final:
1.753 toneladas de CO₂ armazenadas na estrutura de madeira;
679 toneladas de CO₂e em emissões evitadas em comparação ao equivalente em concreto.
Estes valores vêm de um estudo comparativo direto: a UBC encomendou a LCA de dois edifícios de mesma altura no mesmo campus, um em madeira híbrida e outro em concreto convencional.
O que o código de obras quase impediu
O código local limitava edificações de madeira a seis andares. Construir 18 exigiu aprovação regulatória específica, duas revisões estruturais independentes e a criação de uma norma exclusiva para o terreno, aprovada em setembro de 2015.
A equipe montou o processo regulatório em paralelo ao projeto de arquitetura. Quem deixa essa etapa para depois sai com cronograma errado e orçamento fora do controle.
O que custou mais, o que custou menos

Em 2017, o custo de referência para um edifício comparável em concreto em Vancouver era de CAD 215/pé quadrado. O Brock Commons saiu por CAD 230/pé quadrado.
Diferença de cerca de 7%, atribuída ao prêmio de inovação de ser o primeiro projeto desse tipo no Canadá: aprovações inéditas, revisões adicionais, processo sem precedente local.
A montagem da superestrutura completa, incluindo painéis de fachada pré-fabricados, foi concluída em cerca de 70 dias por nove instaladores, dois meses mais rápido que o planejado, além do desperdício de materiais no canteiro ter caído cerca de dois terços em relação ao padrão convencional.
Há ainda um ponto que costuma ficar fora da comparação: cobrir a madeira com drywall permitiu usar madeira de qualidade comercial padrão e reduzir as seções estruturais, porque não era necessário calcular a camada de carbonização para proteção ao fogo.
A decisão regulatória que parecia limitação virou fonte de eficiência de custo.
O que esse projeto prova
O Brock Commons prova que, em condições específicas, madeira estrutural entrega menos carbono embutido, menor prazo de montagem e menor desperdício, com custo total próximo ao do concreto convencional.
Essas condições incluem: fornecedores com capacidade de pré-fabricação, código de obras viável ou aprovação regulatória possível, equipe com experiência em madeira estrutural e análise de ciclo de vida integrada ao projeto, não adicionada depois.
Quando uma dessas condições falha, o resultado muda. A decisão de material começa no diagnóstico do contexto, não na escolha do catálogo!
Vídeo da Semana
O problema das casas modernas!
85% das edificações brasileiras têm algum grau de anomalia ligada a mofo, umidade ou infiltração.
Esse número vem do Instituto Brasileiro de Impermeabilização e, além de ser uma estatística de habitação precária, é também o padrão do mercado imobiliário convencional.
O problema começa antes da obra mal executada, ele tem início em decisões de projeto, de especificação e de custo que foram tomadas sem considerar o que acontece com o ar dentro do edifício depois que a porta fecha.
Compostos orgânicos voláteis liberados por materiais de acabamento. Fungos que crescem dentro da parede antes de aparecer na superfície. Ventilação subdimensionada que transfere o problema para o morador sem que ninguém coloque isso na planilha.
O custo não desaparece … ele muda de lugar
Quer se aprofundar no tema?
Assista ao vídeo completo e entenda como a construção civil chegou até aqui e o que os dados mostram sobre o custo real dessas decisões!



