Em 2019, a Roca Brasil Cerâmica encomendou uma Análise do Ciclo de Vida completa da sua produção. Nenhuma outra indústria de revestimentos cerâmicos do Brasil havia feito isso antes. O estudo mapeou os fluxos de energia e emissão em cada etapa da linha, desde a extração da argila até o produto embalado, e identificou onde estava o maior problema: as fornalhas dos atomizadores.

Os atomizadores convertem argila úmida em granulado, matéria-prima do porcelanato. É uma das etapas de maior consumo de energia da fábrica. O combustível era coque de petróleo. A partir do diagnóstico da ACV, a empresa iniciou a substituição por biomassa, pellets e briquetes derivados de resíduos de indústrias madeireiras. A transição teve início em 2021, e em 2022, todas as plantas operavam sem coque.

33%

Redução na intensidade de emissões entre 2020 e 2024

4,55 kg

CO₂e/m² em 2024 — abaixo da Itália (5,00) e da Espanha (5,50)

10.531 t

CO₂e evitadas com a substituição do combustível

Em março de 2025, esses dados foram apresentados por Sami Meira no 3º Workshop Técnico de MRV em Brasília, durante o processo de regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio e Emissões. A apresentação incluiu uma proposta ao governo federal: reconhecer a recuperação de jazidas de argila como geradora de créditos de carbono no SBCE.

O que isso significa

A substituição do coque foi uma decisão de engenharia de processo, orientada por dados de ciclo de vida. A ACV localizou a fonte principal de emissão (os atomizadores) e tornou possível quantificar o impacto antes de qualquer mudança ser realizada. Sem esse mapeamento, a troca de combustível poderia ter sido feita no lugar errado, com escala insuficiente ou simplesmente não ter acontecido.

O resultado quatro anos depois é verificável: intensidade de emissões de 4,55 kgCO₂e/m², abaixo da Itália e Espanha, numa média global de 14,40 kgCO₂e/m². Isso coloca a produção nacional de um fabricante específico à frente dos principais benchmarks europeus do setor.

A UGREEN acompanha a Roca Brasil Cerâmica desde 2019 - ACV, Inventário GEE pelo GHG Protocol, relatório anual de sustentabilidade e apresentação dos resultados no Workshop Federal de MRV. Para fabricantes de materiais que precisam estruturar este tipo de processo, os serviços de ACV e gestão de KPIs ESG da UGREEN cobrem desde o diagnóstico inicial até a publicação de dados verificáveis.

O contexto regulatório torna isso mais urgente do que parece. O SBCE está em regulamentação ativa. Os critérios de MRV (monitoramento, reporte e verificação) estão sendo definidos agora, com participação de indústrias que já têm inventários estruturados. Fabricantes que ainda não iniciaram esse processo vão entrar na regulação sem histórico de dados, sem baseline e sem capacidade de demonstrar redução.

Construir esse histórico leva tempo. A Roca Brasil Cerâmica levou quatro anos para chegar ao número que apresentou em Brasília. Esse é o prazo que o mercado não costuma considerar até que a exigência já esteja em vigor.

Green Building Day XP

São apenas 11 dias para o Green Building Day XP

No dia 15 de maio, a FIEP Event Center em Curitiba recebe uma tarde dedicada à sustentabilidade aplicada à construção.

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Notícia

Infraestrutura azul-verde vira parâmetro técnico na construção das cidades

Jardins de chuva, telhados com retenção hídrica e pavimentos permeáveis entram nos projetos como resposta mensurável ao calor e às enchentes urbanas.

Em 2023, desastres climáticos deslocaram 7,7 milhões de pessoas no mundo. Nas cidades, o calor cresce duas vezes mais rápido do que a média global. A resposta do mercado da construção ainda é, em grande parte, mais concreta.

Este modelo chamado de infraestrutura cinza traz consigo muros de contenção, redes de esgoto, diques e sistemas de bombeamento que funcionaram por décadas, mas agora atingiram seu limite. Os custos destas decisões são perceptíveis nas obras, especificações e contas dos municípios.

A resposta que ganhou força glocal é a infraestrutura azul-verde.

O que é

O conceito une dois sistemas:

  • O verde cobre florestas urbanas, telhados vegetados, jardins de chuva e pavimentos permeáveis.

  • O azul engloba lagos, córregos renaturalizados, áreas úmidas e redes de drenagem.

Juntos, formam uma rede de gestão ambiental que opera do edifício à cidade.

Na escala do projeto, o termo é arquitetura azul-verde. Ele descreve a intenção entre vegetação e manejo de água da chuva e água cinza dentro do próprio edifício.

Por que o timing mudou

2–5°C

Redução de temperatura em microclimas urbanos com infraestrutura azul-verde

51

Tipos de soluções azul-verde mapeados pela ciência em 10 categorias distintas

7,7M

Pessoas deslocadas por desastres climáticos somente em 2023

Como entra no projeto

Na prática, infraestrutura azul-verde não é item de checklist, é uma decisão de projeto que começa com como o terreno vai lidar com a água da chuva. Ramifica-se por escolhas de cobertura, pavimentação, paisagismo e relação com o entorno híbrido.

Jardins de chuva, telhados com camada de retenção, biovaletas e parques com capacidade de retenção de cheias são ferramentas com desempenho mensurável e custo calculável. São Paulo incorporou essas soluções nos manuais técnicos de drenagem e desenho urbano da prefeitura.

Os parâmetros de projeto já existem, mas o desafio técnico é saber aplicar.

O que a ciência ainda não resolve

Avaliações de longo prazo são escassas, pois a escala de adoção ainda é pequena.

  • Conectar soluções descentralizadas é um desafio real de planejamento;

  • Um jardim de chuva bem projetado não resolve uma bacia hidrográfica inteira;

  • Um telhado verde não substitui um sistema de drenagem subdimensionado.

O que a infraestrutura azul-verde resolve são os problemas que a infraestrutura cinza não consegue mais enfrentar sozinha: calor e água, com custo menor e benefício maior para quem usa os espaços.

Olhar UGREEN

Especificar um telhado com camada de retenção hídrica tem retorno mensurável em consumo de energia e manutenção. Prever um jardim de chuva no projeto de implantação reduz risco de dano. Escolher pavimento permeável afeta temperatura de superfície, conforto e durabilidade.

São decisões técnicas com consequência econômica … não gestos simbólicos.

A Holanda - por exemplo - tornou obrigatória a avaliação de infraestrutura azul-verde em todos os edifícios novos em 2024. A União Europeia direcionou cerca de 100 bilhões de euros para soluções de biodiversidade e natureza no período 2021-2027. Quem projeto sem considerar esses critérios transfere custo para o cliente, para o projeto e para a cidade.

Vídeo da Semana

Do que adianta um projeto ficar bonito na foto enquanto não é nada eficiente?!

Fachada de vidro do piso ao teto, volume limpo, sem beiral nem sombra - foto perfeita - mas aí, às 14h de janeiro, a sala vira uma estufa. O ar-condicionado passou a rodar o dia inteiro, sendo que o cliente pagou caro por um espaço difícil de ser utilizado.

Isso não é um caso isolado, pois já se tornou um padrão que se repete pelo fato do mercado recompensar imagem antes de desempenho.

Um projeto chamativo vende até 15% mais rápido, porém, estudos mostram que o consumo real de energia em edifícios pode chegar a cinco vezes o valor projetado. Em alguns casos, dez vezes, essa diferença aparece diretamente na conta.

Quando a decisão de projeto prioriza o visual sem considerar orientação solar, carga técnica e comportamento do usuário, o edifício passa a brigar com quem mora nele.

Beral removido para limpar volume, vidro escolhido pela cor e não pela transmitância, simulação feita com dados ideais, sem considerar o entorno real. Cada um desses erros possui custos que se acumulam por décadas.

Assista ao vídeo completo no YouTube e entenda por que isso acontece, como identificar esses erros antes da obra e o que muda quando o projeto é avaliado com dados reais de desempenho!

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