
No final do mês passado (abril), a Saint-Gobain publicou a quarta edição do seu Barômetro da Construção Sustentável. Um estudo que reuniu 4.800 profissionais do setor e 30.000 cidadãos de 30 países.
Os dados são de escopo global. O Brasil não foi especificado neste ano, porém foi incluído com recorte nacional específico na edição do ano anterior - e os números brasileiros possuem uma leitura própria.
No plano global, a consciência sobre o tema é alta, mas o que o estudo encontrou não foi engajamento, mas sim uma separação clara entre o que os profissionais dizem entender e o que de fato praticam.
67%
dos profissionais dizem entender exatamente o que é construção sustentável
32%
avaliam rotineiramente a pegada de carbono dos seus projetos
30%
já executam projetos sustentáveis de forma sistemática
55% dizem ter intenção de executar projetos sustentáveis, porém, apenas 30% já realizam.
Há ainda um dado sobre percepção de valor: 47% dos profissionais acreditam que construção sustentável gera mais valor do que a convencional. Entre representantes do poder público, esse número cai para 34%.
Brasil - edição 2025
O recorte nacional da edição anterior mostrou um padrão mais extremo, com a consciência sendo acima da média global, onde 69% dos profissionais brasileiros afirmaram dominar o conceito. Mas o preparo para aplicar na prática era o mais baixo entre todos os países pesquisados: apenas 9% se sentiam capacitados para agir, contra uma média global de 28%.
O que isso significa
A distância entre reconhecer o tema e ter condições técnicas de agir sobre ele é um problema que o barômetro identifica, e esta distância tem consequências concretas.
Para projetos
Quem não consegue documentar desempenho ambiental perde especificação em obras que exigem certificação.
Para fabricantes
Sem dados verificados, o produto fica fora de cadeias de fornecimento que já exigem evidência técnica.
Para construtoras
Sem medição de emissões, não se responde a investidores e compradores que incluem sustentabilidade na avaliação de risco.
Para o mercado
O barômetro aponta o principal obstáculo: dificuldade de tornar o desempenho sustentável visível, mensurável e integrado às decisões de custo e prazo.
O dado brasileiro - 9% de preparo contra 69% de consciência - descreve um mercado onde o discurso sobre sustentabilidade avançou mais rápido do que a capacidade técnica de sustentá-lo. Esse gap é uma janela de diferenciação para quem decidir fechá-lo antes do concorrentes.
O desafio não é mais convencer o mercado de que a sustentabilidade importa, é construir os instrumentos para provar o que já se sabe que precisa ser feito.
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Conteúdo Técnico
As fachadas que respiram

Existe um problema pouco perceptível em muitos dos edifícios projetados nas últimas décadas.
Suas fachadas foram desenhadas para um dia em específico. Um ângulo de sol médio, uma temperatura de referência são condições que na prática existem apenas por algumas semanas do ano, além de serem a principal causa do desconforto interno, consumo excessivo de energia e do retrabalho do sistema de climatização no restante do tempo.
É passivo de se imaginar que o problema esteja no vidro, no brise ou até mesmo no material escolhido, porém, não está. O real “culpado” é a fachada estática.
O que muda com uma fachada que reage
Fachadas cinéticas são sistemas que alteram sua geometria em resposta a condições externas: incidência solar, temperatura, vento.
Le Corbusier desenvolveu os primeiros brises-soleils fixos a partir de 1929, com aplicações construídas a partir de 1935. O que “evoluiu” foi a escala, a precisão e a viabilidade de sistemas que fazem isso de forma automatizada e contínua.
O mecanismo funciona em três etapas: (i) sensores captam as condições externas, (ii) um sistema de controle processa os dados e determina a configuração ideal, (iii) atuadores executam o movimento físico dos painéis.
Resultando em uma fachada que opera de forma diferente às 8h e às 15h, no inverno e no verão, em orientação nordeste e oeste. A redução de até 50% no ganho de calor solar e diminuição proporcional da carga sobre o sistema de climatização, sem depender de intervenção manual, é o impacto direto desta aplicação.
Existe também uma versão passiva deste princípio, sem motores ou algoritmos. A garagem do Aeroporto Doméstico de Brisbane, por exemplo, projetada pelo artista Ned Kahn em colaboração com o escritório Hassell e o estúdio UAP, utiliza cerca de 117 mil painéis de alumínio suspensos que oscilam livremente com o vento sem utilizar nenhum sensor ou motor. A fachada se move por conta do vento, além de fornecer sombreamento e ventilação cruzada como subproduto de uma força que já estava lá.
Um dos principais obstáculos à adoção dessas tecnologias é a dependência de sistemas elétricos e mecânicos que precisam de manutenção, falham e carregam seu próprio carbono embutido de fabricação.
O Institut du Monde Arabe, em Paris, concluído em 1987 e projetado por Jean Nouvel em colaboração com o Architecture-Studio, precisou de uma reforma completa do sistema de diafragmas motorizados 30 anos após sua inauguração. Os motores foram falhando progressivamente e a sofisticação gerou um custo de operação que o projeto original não havia dimensionado.
As decisões de projeto no Brasil
A discussão sobre fachadas cinéticas costuma ficar restrita ao registro de projetos icônicos internacionais: Abu Dhabi, Paris, Brisbane. Edifícios que existem em contextos orçamentários, regulatórios e climáticos bastante específicos.
Mas o princípio que está por trás deles é exatamente o que está em jogo em qualquer decisão de envoltória no Brasil: como uma fachada desempenha ao longo do tempo, em condições variáveis, sem depender de climatização para compensar o que o projeto não resolveu.
Isso exige sistema automatizado e tratar a fachada como um sistema de desempenho, com a mesma atenção que se dedica a um memorial de cálculo estrutural.
Em projetos analisados pela UGREEN, a combinação de orientação solar, proteção externa adequada e abertura estratégica de fachadas aparece repetidamente como a diferença entre ambientes que dependem de climatização em regime integral e ambientes que mantêm conforto térmico e lumínico na maior parte do ano com estratégias passivas.
Além de não serem conceitos novos, seu processo de projeto frequentemente trata com menos rigor do que trataria uma especificação de estrutura ou instalações.
Exigências do mercado
Fachadas cinéticas automatizadas ainda possuem custo de implementação e manutenção que restringe sua adoção no Brasil. Porém, o movimento que as originou está chegando de outras formas: normativas de desempenho, exigências de certificação e critérios de financiamento que tratam eficiência energética como condição de acesso, não como atributo opcional.
Um projeto que entrega consumo energético acima do esperado, ou que depende de climatização mecânica para compensar uma fachada mal dimensionada, responde a isso em custo operacional, em valor de locação e em satisfação dos usuários ao longo da vida útil do edifício.
A fachada estática, desenhada para uma condição média que raramente existe, vai continuar sendo especificada. Mas vai ser progressivamente mais difícil justificá-la quando há alternativas mensuráveis, com impacto direto nos dados de desempenho que o mercado começa a exigir como evidência.
Vídeo da Semana
Seu escritório está consumindo a produtividade da sua equipe
Muitas pessoas já trabalharam em um escritório onde metade do espaço congela e a outra metade ferve. O sono bate às 14h sem motivo e/ou a concentração simplesmente some antes mesmo do almoço.
A explicação mais comum é falta de motivação, estresse ou até mesmo problema de gestão, mas e se eu te disser que esse diagnóstico está errado!
O corpo humano gasta muita energia para se manter estável dentro de um ambiente que não o faz bem. Temperatura desregulada, ar com CO₂ acumulado, iluminação artificial fixa e ruído sem barreira acústica, cada um desses fatores consome parte da sua energia que deveria ser destinada ao trabalho.
Isso resulta em sintomas que aparecem como: cansaço, erro, retrabalho e reuniões que não chegam a lugar algum.
Quer se aprofundar no tema?
Assista ao vídeo completo no YouTube e entenda como o ambiente físico do escritório afeta diretamente a produtividade da equipe e o que uma decisão de projeto pode mudar nessa conta.


