Sustentabilidade e economia em Kinshasa

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Notícia

Sustentabilidade, cultura e economia no novo mercado central histórico de Kinshasa

Foto: Martin Argyroglo/THINK TANK

Em 2026, Kinshasa reabre um de seus espaços urbanos mais emblemáticos: o Marché Central, conhecido popularmente como Zando. Após cinco anos de fechamento, o mercado volta a funcionar com uma nova proposta. Agora, ele combina soluções sustentáveis, identidade local e um modelo de gestão que mistura interesses públicos e privados.

O Zando sempre foi mais do que um centro de compras. Localizado na comuna de Gombe, é o ponto de encontro diário de milhares de pessoas. Ao longo das décadas, passou de uma estrutura colonial a um espaço informal superlotado. Hoje, o novo edifício é visto como um símbolo de transformação urbana.

Um projeto que une arquitetura e clima

A nova estrutura foi projetada pelo escritório francês THINK TANK Architecture. O destaque está em soluções passivas para ventilação e conforto térmico. A cobertura do mercado, formada por módulos em formato de cogumelo, permite a circulação do ar quente sem depender de ar-condicionado. Já a fachada de tijolos vazados protege do sol e homenageia os tecidos tradicionais congoleses.

A escolha dos materiais também teve impacto positivo na economia local. Os tijolos de terracota foram produzidos em fábricas da região, gerando empregos e reduzindo o custo ambiental com transporte.

Gestão hídrica e baixo consumo de energia

O mercado foi pensado para funcionar em um contexto onde os serviços públicos são instáveis. O sistema de captação de água da chuva, por exemplo, permite limpeza e irrigação dos pátios internos, mesmo sem apoio da rede municipal. Já os pátios verdes ajudam a reduzir a temperatura e aumentam a biodiversidade urbana.

Além disso, a inclusão de 40 câmaras frias no novo espaço reduz o desperdício de alimentos e melhora a segurança alimentar para a cidade.

Foto: Martin Argyroglo/THINK TANK

PPP, conflitos e desafios sociais

O projeto foi realizado por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP). A Sogema, empresa privada liderada por Dieudonné Bakarani, ficou responsável pelo financiamento e operação do mercado por 25 anos.

Bakarani, que já foi vendedor do próprio Zando, defende que a reforma é uma forma de devolver dignidade aos trabalhadores. Porém, há críticas. Organizações locais apontam falta de transparência no contrato e alertam para os riscos de exclusão de vendedores informais.

Durante o período de obras, milhares de famílias ficaram sem renda fixa. Os mercados provisórios não conseguiram absorver todos os comerciantes, o que gerou protestos e perdas econômicas.

Antes e depois: uma nova infraestrutura

Indicador

Antigo Mercado

Novo Zando

Capacidade

3.500 vendedores

11.000 bancas fixas

Banheiros

9

272

Gestão de resíduos

Inexistente

Sistema integrado + reciclagem

Refrigeração

Nenhuma

40 câmaras frias

Segurança

Instável

Brigada de incêndio no local

Acesso à internet

Inexistente

Wi-Fi gratuito e CCTV

O que está em jogo?

O Zando pode se tornar uma referência em arquitetura sustentável adaptada ao contexto africano. Mas o sucesso do projeto dependerá da sua capacidade de manter acessibilidade para os pequenos comerciantes. Se os custos forem altos demais, existe o risco de exclusão e retorno da informalidade nas ruas próximas.

A reabertura marca o fim de um período difícil e o começo de um novo ciclo. A pergunta central agora é: o novo mercado servirá à cidade como um todo ou apenas a uma parte dela?

Por que isso importa para quem projeta com sustentabilidade?

O Zando mostra que sustentabilidade não é apenas uma questão técnica, mas social e econômica. Materiais locais, soluções de baixo custo energético e respeito à cultura são parte essencial de qualquer projeto com impacto real.

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Vídeo

A habitação russa nunca foi apenas um lar

Imagem: Russia Beyond

Na Rússia, a habitação sempre esteve diretamente ligada à política, ao clima e à organização social. As opções de moradia não surgiram apenas por escolhas arquitetônicas, mas como respostas a crises, ideologias e à necessidade constante de sobreviver a condições extremas.

Isbas: técnicas para enfrentar o frio

Antes da urbanização do século XX, a maioria da população vivia no campo. As Isbas eram casas de madeira projetadas para conservar calor: troncos encaixados sem pregos, vedação com musgo e um grande fogão central que aquecia, cozinhava e, em casos de temperaturas extremas, servia como aquecedor para dormir.

Do ponto de vista térmico, eram eficientes, do ponto de vista sanitário, não. Famílias numerosas ocupavam áreas muito pequenas e, durante o inverno, animais jovens eram levados para dentro de casa.

Urbanização acelerada e colapso habitacional

Com a industrialização, milhões migraram do campo para cidades como Moscou e São Petersburgo. As cidades não estavam preparadas. Trabalhadores passaram a alugar cantos de cômodos, camas compartilhadas por turnos e porões úmidos sem ventilação.

Em 1913, o espaço médio habitacional urbano era de apenas 6,3 m² por pessoa, considerando inclusive as moradias da elite.

A moradia como instrumento do estado

Após a Revolução de 1917, a habitação deixou de ser um bem privado. Apartamentos considerados “excedentes” foram redistribuídos, dando origem às kommuunalkas, apartamentos comunais onde várias famílias compartilhavam cozinha, banheiro e corredores.

A vida privada foi reduzida ao mínimo. A convivência era obrigatória, constante e sob vigilância.

O problema que surge a partir daí

Como oferecer moradia para milhões de pessoas, rapidamente, com poucos recursos, em um país de clima extremo e, ao mesmo tempo, usar a arquitetura para moldar comportamentos sociais?

A resposta soviética passaria por construções padronizadas, bairros inteiros planejados e uma escala de produção inédita no mundo. Mas essas soluções também criaram novos limites técnicos, sociais e urbanos que ainda impactam as cidades até hoje!

Se interessou pelo tema?

Assista nosso vídeo completo sobre o assunto e entenda com detalhes como essas soluções foram aplicadas na prática e quais consequências elas geraram no maior continente do mundo!

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